Após cobrança de Lula à Anvisa, Nísia defende autonomia da agência

Segundo a ministra, presidente apenas tornou pública uma reivindicação da indústria farmacêutica

Marina Demori, da CNN, Brasília
Ministra da Saúde, Nísia Trindade, recebe representantes do Movimento Nacional da População em Situação de Rua
Nísia defendeu Lula, dizendo que o presidente apenas tornou pública uma reivindicação da indústria farmacêutica e que não é aceitável que se coloque em xeque a autonomia da agência  • 28/08/2024 - Ministério da Saúde
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A ministra da saúde, Nísia Trindade, defendeu a autonomia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e disse que "ninguém pode colocar em risco a eficácia de medicamentos e de vacinas”.

A manifestação da ministra se deu após o presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, rebater uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que cobrou publicamente mais celeridade da Anvisa para a liberação de medicamentos.

Lula disse, durante inauguração de uma nova fábrica da EMS – empresa de produtos farmacêuticas -, na semana passada, que a Anvisa precisa “andar um pouco mais rápido” para aprovar os pedidos de registro de medicamentos no Brasil.

“Não é possível o povo não poder comprar remédio porque a Anvisa não libera. Essa é uma demanda que nós vamos tentar resolver”, disse o presidente.

Barra Torres respondeu ao presidente dizendo que “o atual governo federal foi alertado que o número insuficiente de servidores traria impacto no cumprimento da missão da Agência”.

Nísia defendeu Lula, dizendo que o presidente apenas tornou pública uma reivindicação da indústria farmacêutica e que não é aceitável que se coloque em xeque a autonomia da agência.

"É uma autonomia técnica para definir eficácia e segurança. Para isso, há o registro da lei. O que eu acho que precisamos avançar é que houve, a meu ver, um retrocesso na relação das agências com as políticas nacionais. E o governo, o executivo, é responsável pela formulação e execução de políticas nacionais”, disse.