Após Flávio prometer retomar Perse, Lula acena perdão ao setor de eventos

A dois dias das eleições, ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, afirma que governo deve enviar um projeto de lei ao Congresso para ajudar empresas de pequeno porte do setor de eventos

Eduarda Teixeira, da CNN Brasil, Brasília

O governo Lula (PT) deve enviar à Câmara dos Deputados um projeto de lei para perdoar dívidas de empresas do setor de eventos optantes pelo Simples Nacional. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (23) pelo ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, após reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Ainda não há uma data para o envio. A sinalização vem três dias depois de o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, prometer que, se eleito, retomará o Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos), encerrado em 2025 pela atual gestão.

Segundo o ministro, o texto seguirá o modelo adotado para o perdão de débitos dos MEIs (Microempreendedores Individuais). Ele afirmou que o presidente Lula “já decidiu” enviar a proposta e que o setor de eventos é um dos mais penalizados nos últimos anos.

“O modelo é muito eficiente do ponto de vista fiscal, porque você perdoa dívidas de difícil recuperação”, afirmou. Pereira disse que, no caso dos MEIs, foram perdoados cerca de R$ 15 bilhões, com custo fiscal em torno de R$ 1 bilhão por ano. Para ele, a medida também permite que as empresas voltem à formalidade e passem a recolher tributos.

O ministro reconheceu que o setor recebeu ajuda durante a pandemia, mas avaliou que ainda está “muito ferido” e carregou dívidas ao longo dos últimos anos. A iniciativa anunciada se soma a uma série de medidas anunciadas por Lula na reta final das eleições.

Linha do BNDES

Pereira também anunciou que o governo vai divulgar, nos próximos dias, uma linha de financiamento do BNDES voltada a empresas de pequeno porte, com juros reduzidos e subsidiados. Segundo ele, o pacote inclui o socorro às dívidas de empresas do Simples dos setores de eventos, bares e restaurantes.

Fim da escala 6x1

O ministro afirmou que as empresas menores são a maior preocupação do governo na transição para o fim da escala 6x1. Segundo ele, foi aberto um grupo de trabalho com representantes do setor para entender o que essas empresas precisam para se adaptar.

“O fim da escala 6x1 é uma vitória do governo, mas vamos cuidar para que as empresas pequenas e médias façam essa transição de forma eficiente”, declarou.

O governo ainda pretende intensificar, na Câmara, a discussão sobre a atualização do Simples. A ideia é rever as faixas de faturamento, que hoje chegam a R$ 360 mil para microempresas e R$ 4,8 milhões para empresas de pequeno porte, e criar “rampas” para que o crescimento seja mais bem aproveitado.

Perse

Criado em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), o Perse concedia benefícios tributários a empresas do setor de eventos afetadas pela pandemia. O programa foi encerrado em 2025 pela gestão Lula, que alegou que empresas de fora do setor estavam usando o benefício.

Na terça-feira (20), Flávio Bolsonaro prometeu em vídeo nas redes sociais retomar o programa e disse que vai “salvar o setor de shows”. A promessa e o anúncio do governo ocorrem às vésperas do segundo turno da eleição presidencial.