Após operação no DF, defesa de Agnelo diz que não teve acesso a investigação

Operação Alto Escalão mirou denúncias de corrupção na compra de leitos hospitalares

Bernardo Barbosa e Gabrielle Varela, da CNN em São Paulo e Brasília
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Alvo de uma operação do Ministério Público do Distrito Federal nesta quinta-feira (23), o ex-governador Agnelo Queiroz (PT) disse, por meio de seus advogados, que "não teve acesso a qualquer investigação instaurada pela Polícia Civil do Distrito Federal e muito menos pelo Ministério Público do Distrito Federal".

Os advogados disseram que o ex-governador foi "surpreendido com a chegada de autoridades policiais, acompanhadas de um Promotor Público, para cumprimento de uma ordem judicial de busca e apreensão".

"Sua surpresa com a realização da operação policial, decorre do fato de jamais, nos últimos 5 anos e quase sete meses, após ter concluído seu mandato no Governo do Distrito Federal, ter sido intimado para prestar quaisquer esclarecimentos sobre os fatos que a imprensa noticia, como sendo o objeto da
investigação", diz a nota, assinada pelos advogados Paulo Machado Guimarães e José Carlos de Matos.

Ainda de acordo com a defesa de Agnelo, o ex-governador "permanece com residência fixa em Brasília, cumprindo com suas obrigações como cidadão, inclusive em isolamento social, por integrar grupo de risco, junto com sua esposa e sogra de 84 anos".

Os advogados também dizem ter "a convicção de que, tão logo seja possível conhecer o inteiro teor das investigações, terá condições de se manifestar, convicto e seguro de que não cometeu qualquer ilícito penal, em especial durante todo o período de sua gestão como Governador do Distrito Federal."

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A operação

A operação Alto Escalão cumpriu 13 mandados de busca e apreensão contra a prática de corrupção na compra de leitos hospitalares. Agnelo chegou a ser conduzido para a polícia do DF depois de ser encontrada uma arma em sua residência.

Segundo as investigações, foram identificadas suspeitas de irregularidades em um contrato no valor de R$ 4,6 milhões, envolvendo o proprietário de uma empresa contratada, que teria pago propina de 10% desse montante a pessoas que agiam em nome de Agnelo e do ex-secretário de Saúde Rafael Barbosa.

Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal de Brasília, após informações fornecidas em uma delação premiada que sugeriu a existência de um contrato fictício de publicidade assinado entre a secretaria de Saúde e o Instituto Brasília para o Bem Estar do Servidor Público (IBESP).

O advogado de Rafael Barbosa, Kleber Lacerda, afirma que não teve acesso à decisão que autorizou a busca e apreensão proferido pela Justiça, tendo recebido apenas cópia do mandado cumprido pelo oficial. 

Segundo a defesa, a investigação apura contrato celebrado em novembro de 2014, assinado sete meses após a saída de Barbosa da Secretaria de Saúde. "Assim, fica evidenciada a ilegalidade da decisão que será atacada judicialmente", disse Lacerda.