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    Após ordem de Toffoli, servidores da PGR coletam dados da Lava Jato em Curitiba

    Por conta do volume do material, o trabalho da equipe técnica pode levar mais de uma semana para ser concluído

    Teo Cury, Rachel Vargas e Gabriela Coelho

    Da CNN, em Brasília

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    Servidores da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (SPPEA) da Procuradoria-Geral da República (PGR) chegaram em Curitiba, nesta terça-feira (21), para buscar os dados de toda a investigação da operação Lava Jato. 

    O material tem em torno de mil terabytes e reúne seis anos de investigação, com informações fiscais e bancárias de investigados, o que inclui, entre outras coisas, dados apreendidos em computadores e celulares. Por conta do volume do material, o trabalho da equipe técnica pode levar mais de uma semana para ser concluído. 

    Um integrante da força-tarefa que falou à CNN sob condição de anonimato afirmou que entre o material que será compartilhado está dados de cerca de 50 milhões de movimentações financeiras e 784 relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

    No início do mês, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, determinou que as forças-tarefas da Lava Jato em Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo compartilhassem com a PGR todas as informações utilizadas e obtidas em suas investigações.

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    A decisão atendeu a um pedido da PGR, que havia expedido um ofício às forças-tarefas nas três capitais “com o objetivo de obter as bases da dados estruturados e não-estruturados utilizadas” pelos investigadores. Os procuradores se negaram a repassar os dados. 

    Na avaliação do vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, a resistência no compartilhamento das informações “invisíveis ao conjunto do Ministério Público” trazem “graves consequências” à instituição. Na decisão, Toffoli afirmou que a postura de não compartilhar dados afronta uma decisão da corte a respeito da unidade do Ministério Público.

    Investigadores próximos ao procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmam reservadamente que a base de dados pertence ao MPF e não a uma força-tarefa específica. Eles avaliam que não há instituições paralelas dentro do MPF que teriam exclusividade sobre base de dados ou conhecimentos específicos. 

    A transferência dos dados deve levar mais de uma semana. Depois, os servidores da secretaria retornarão a Brasília para examiná-los. O principal objetivo é analisar se, entre os investigados, há autoridades que tenham foro perante o STF. Caso haja, a relação dos investigados deve ser informada à Corte.

    Procurada, a assessoria de imprensa da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba informou que não iria comentar a chegada dos servidores.

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