Após pedir ação contra ministros do STF, Sérgio Reis virou alvo da PF; entenda

Cantor sertanejo e ex-deputado é investigado pela convocação de caminhoneiros para atos antidemocráticos contra o Supremo, em 7 de setembro

O cantor e ex-deputado Sérgio Reis foi alvo de operação da PF autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF
O cantor e ex-deputado Sérgio Reis foi alvo de operação da PF autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF Foto: Ed Ferreira - 10.fev.2015/Estadão Conteúdo

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo

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Cantor sertanejo vencedor de Grammys, ex-ator de novela e ex-deputado federal por São Paulo (de 2014 a 2019), Sérgio Reis se viu de volta aos holofotes nos últimos dias ao se envolver em uma polêmica: a participação na organização de atos antidemocráticos contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em 7 de setembro.

Nesta sexta-feira (20), o caso teve mais um capítulo, com Reis se tornando um dos alvos de uma operação da Polícia Federal (PF) autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, para investigar as ameaças recentes contra as instituições democráticas do país.

Também nessa semana, Reis já havia virado alvo de um inquérito da Polícia Civil do Distrito Federal, que o investigará por associação a crimes como ameaça, dano e por expor a perigo os meios de transporte público. 

Qual a participação de Sérgio Reis nos atos?

O envolvimento do sertanejo com a organização do movimento de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) veio à tona no domingo (15) quando um áudio e um vídeo atribuídos ao cantor circularam em grupos de WhatsApp e no Twitter.

Na véspera, o presidente Bolsonaro havia prometido, também nas redes sociais, que apresentaria ao Senado um pedido de impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

A ideia era que os profissionais de transporte de carga paralisassem suas atividades em 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, para engrossar outras manifestações já programadas a favor do governo. 

Nas mensagens, Reis convocava os caminhoneiros para o protesto, que teria como alvo os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Nós vamos parar 72 horas. Se não fizer nada, nas próximas 72 horas, ninguém anda no país, não vai ter nem caminhão para trazer feijão para vocês aqui dentro”, teria dito Reis em uma reunião em Brasília, com representantes do agronegócio, sentado ao lado do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Antonio Galvan – que também é alvo da operação da PF nesta sexta (20)

“Nada vai ser igual, nunca foi igual ao que vai acontecer em 7, 8, 9 e 10 de setembro e se eles não obedecerem nosso pedido, eles vão ver como a cobra vai fumar, e ai do caminhoneiro que furar esse bloqueio”, ameaçou Reis.

Apoio financeiro e pressão contra presidente do Senado

Em um dos áudios, o cantor também sugere que o movimento conta com apoio financeiro para manter os manifestantes hospedados e alimentados em Brasília por mais de um mês. Seria uma forma de pressionar os senadores a aprovarem o afastamento dos ministros do STF e a impressão do comprovante de votação no pleito de 2022.

Sérgio Reis diz ainda que pretendia se encontrar com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para apresentar uma “intimação”. Segundo ele, não seria um pedido, mas uma ordem. 

“Já entramos com pedido de o presidente do Senado nos receber no dia 8 de setembro, vou eu e dois líderes dos caminhoneiros, e dois líderes do sindicato da soja, para entregar a ele uma intimação, não é um pedido, é uma intimação, como se fosse um oficial de Justiça que fala ‘cumpra-se'”, disse o cantor.

“Enquanto o Senado não tomar essa posição que nós mandamos fazer nós vamos ficar em Brasília e não saímos de lá até isso acontecer. Uma semana, dez dias, um mês e os caras bancando tudo hotel e tudo, não gasta um tostão. E se em 30 dias eles não tirarem aqueles caras, nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra.”

Governo e categoria minimizam ameaças

De acordo com informações do Estadão Conteúdo, a preparação da paralisação, pelo menos por enquanto, não está sendo levada a sério pelo governo. Representantes da administração de Bolsonaro mantém diálogo direto e monitoram o ânimo da categoria constantemente. 

Representantes dos caminhoneiros negam a adesão ao movimento e rechaçam a participação em qualquer manifestação política. “A grande maioria não vai participar, pelo menos dos nossos associados”, afirmou o presidente da Associação Nacional de Transporte do Brasil (ANTB) José Roberto Stringasci. Segundo ele, a entidade representa atualmente cerca de 45 mil motoristas autônomos.

Wallace Landim, o Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), também negou o envolvimento da categoria no ato. “Não nos envolvemos com política, nem a favor de governo ou contra governo, nem a favor do STF ou contra o STF”, disse ele.

Paralisações de caminhoneiros no país

A maior paralisação dos caminhoneiros ocorreu em maio de 2018, durante o governo de Michel Temer. 

O alcance do ato, que gerou desabastecimento de combustíveis em todo o país, foi atribuído a suspeitas de locaute – quando os patrões, e não os trabalhadores é que lideram a paralisação e impedem os empregados de exercer suas atividades. Diferentemente da greve, que tem amparo na Constituição, o locaute é proibido por lei. 

Em 2015, os caminhoneiros também organizaram greves em vários Estados a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

(Com informações do Estadão Conteúdo e da Reuters)

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