Ignorada em 2020, Pfizer alerta para Brasil começar a negociar novas doses já

A farmacêutica norte-americana fez um alerta ao governo brasileiro em abril para dar início “no mais curto prazo possível” a negociações para 2022

Thais Arbexda CNN

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Depois de o Brasil ignorar uma série de ofertas da Pfizer no ano passado, a farmacêutica norte-americana fez um alerta ao governo brasileiro em abril para dar início “no mais curto prazo possível” a negociações para a aquisição de novas doses da vacina contra a Covid-19 para 2022 e 2023.

A sugestão foi feita pelo vice-presidente para política global da Pfizer, Jon Selib, à cônsul-geral do Brasil em Nova York, Maria Nazareth Farani Azevêdo. O alerta surtiu efeito. Dias depois do encontro, o governo fechou novo contrato com a empresa para comprar mais 100 milhões de doses do imunizante.

O relato do encontro está no montante de documentos entregues pelo Ministério das Relações Exteriores à CPI da Pandemia e que perdeu o sigilo na última quarta-feira (16). A correspondência foi enviada pela cônsul-geral ao ministro Carlos Alberto França no dia 28 de abril. Azevêdo diz que recebeu o executivo da Pfizer no dia anterior, atendendo determinação feita pelo chefe do Itamaraty para que as missões diplomáticas e consulados do Brasil no exterior estivessem “cada vez mais engajados numa verdadeira diplomacia da saúde, dada a urgência e prioridade do combate à pandemia da Covid-19”.

 

A cônsul-geral diz na mensagem ter salientado a Selib que “devem ser crescentes as consultas a governos e a farmacêuticas”, pelo governo brasileiro, “para mapear as vacinas disponíveis e a buscar os remédios necessários ao tratamento de pacientes em estado mais grave”.

“Ao reconhecer que o Brasil é mercado e parceiro importante para sua empresa, Jon Selib assegurou que sua empresa está aberta a dialogar com o país. Disse que manteria canal aberto com o consulado para futuras conversas. Agradeceu a iniciativa do encontro e convidou o governo brasileiro a iniciar no mais curto prazo possível conversas sobre vacinas para 2022 e 2023. Mas, não deixo de dizer que ficaria atento a eventuais oportunidades ainda no ano em curso”, escreveu Azevêdo ao chefe do Itamaraty.

Ainda de acordo com o relato da cônsul-geral ao Brasil, o executivo da Pfizer disse que a farmacêutica “quer ajudar o país e os brasileiros neste momento desafiador” e que empresa deve produzir 3 bilhões de vacina contra a Covid-19 em 2021 e 4 bilhões de doses em 2022.

Vacina contra Covid-19 da Pfizer no Rio de Janeiro
Vacina contra Covid-19 da Pfizer no Rio de Janeiro
Foto: Ricardo Moraes/Reuters (4.mai.2021)

Segundo o relato, Selib também lamentou o fato de a Pfizer ter procurado o Brasil em meados de 2020 e não ter conseguido firmar acordo naquele momento. “Fez críticas a ofertas irrealizáveis de empresas que prometiam licenciamento e transferência de tecnologia mas que não têm experiência no desenvolvimento de vacinas”, escreveu a cônsul-geral.

Ela também afirmou que, “como mensagem ao governo brasileiro”, o executivo da Pfizer ressaltou que a empresa “seguirá fornecendo vacinas e medicamento para tratamento de Covid-19 ao Brasil. “Lembrou que sua empresa somente promete o que pode efetivamente cumprir e que não tem atrasado os compromissos de entrega.”

Procurada, a Pfizer informou que não vai se pronunciar a respeito.

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