Após sustentações, Fachin suspenderá sessão para “diálogo” entre ministros

Presidente da Suprema Corte não comentou sobre caso envolvendo o ministro Dias Toffoli e o Banco Master, mas afirmou que se reunirá com ministros depois da sessão

Gabriela Boechat, Fernanda Fonseca e Anna Júlia Lopes, da CNN Brasil, Brasília
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O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, iniciou a sessão do plenário da Corte nesta quinta-feira (12), mas afirmou que, depois das sustentações orais dos advogados, irá suspender a sessão para realizar um "diálogo" com o ministro.

"Informo aos advogados e advogadas presentes que os demais feitos não serão chamados nessa sessão. Nós iremos apenas fazer a oitiva das primeiras sustentações orais, eis que, em seguida, irei encerrar a sessão porque haverá um diálogo entre os ministros deste tribunal", anunciou Fachin.

A declaração se dá um dia depois de virem a público informações acerca da perícia feita pela PF (Polícia Federal) no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo as mensagens periciadas, Vorcaro teria feito menções a supostos pagamentos cifrados ao ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo.

Depois do anúncio, o presidente da Corte deu início ao julgamento que analisa a criação de uma secretaria voltada à resolução consensual de conflitos no TCU (Tribunal de Contas da União).

 

 

Em casos de grande repercussão, os ministros costumam utilizar as sessões para se posicionarem publicamente, ainda que o tema não esteja na pauta do dia. No entanto, nem Fachin e nem Toffoli falaram sobre o episódio.

Entenda o caso

Foram identificadas, no celular de Daniel Vorcaro, mensagens com menções a Dias Toffoli. A CNN apurou que o banqueiro teria relatado pagamento de R$ 20 milhões à empresa do ministro.

A PF investiga se a transferência de recursos a Toffoli partiu da empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no Tayayá Resort, frequentado pelo ministro e que pertenceu aos irmãos dele.

Um fundo de investimento gerido por uma empresa citada no caso Master investiu R$ 4,3 milhões no resort. Atualmente, a família de Toffoli não está mais no quadro de donos do empreendimento.

A condução do caso pelo ministro tem levantado suspeitas desde que ele recebeu a relatoria. Logo após assumir o comando da investigação pelo Supremo, Toffoli viajou para a Final da Libertadores, no Peru, no mesmo jatinho em que estava um dos advogados da defesa do caso do banco. 

Já em 2026, Toffoli determinou que o material apreendido pela PF na operação que investiga as supostas fraudes do Master fosse lacrado e enviado diretamente para a sede do Supremo.

Normalmente, as provas obtidas em operações ficam a cargo da PF. A decisão gerou forte reação na corporação.

Posteriormente, Toffoli recuou e autorizou o acesso aos documentos à PF, mas designou agentes por conta própria para acompanhar a perícia do material apreendido.

Depois da revelação acerca das mensagens periciadas, a PF pediu a suspeição do magistrado, ou seja, que ele seja declarado suspeito para atuar como relator.

O ministro, por sua vez, rejeitou a possibilidade de deixar a investigação.

Agora, cabe ao presidente Edson Fachin receber e processar o pedido. Fachin terá de decidir se há ou não conflito de interesse na atuação de Toffoli envolvendo o Master.