Após tarifaço, Flávio compara Lula a Biden: "ranzinza" e "inconsequente"
Governo dos EUA confirmou na quarta-feira (15) aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros

Após a confirmação do governo dos Estados Unidos em aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de "ranzinza" e "inconsequente", ao comparar o petista ao ex-presidente americano Joe Biden.
"Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil. Estamos num avião sem piloto. O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação", disse Flávio em declaração publicada nas redes sociais nesta quinta-feira (16).
As novas taxas são resultado da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, aberta após o presidente americano Donald Trump anunciar, em julho de 2025, uma ofensiva comercial contra o Brasil.
Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil. Estamos num avião sem piloto.
O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação.
Quem olha pro Lula não enxerga futuro. Enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção,… https://t.co/cbGkKyoUpL
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) July 16, 2026
Flávio respondeu a uma publicação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que atribuiu a sanção a Lula por "não negociar de boa-fé".
"Que não haja dúvidas sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé. Suas políticas econômicas são prejudiciais tanto para os americanos quanto para os brasileiros", afirmou Rubio.
Após o anúnciou dos EUA, O presidente Lula divulgou uma nota repudiando as novas tarifas e afirmou que o Brasil nunca deixou a mesa de negociação.
"O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. [...] Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país", disse Lula em nota.
"O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais", completou o presidente.
A CNN procurou o Palácio do Planalto sobre as declarações de Flávio e aguarda retorno.
Reação em três frentes
Ainda na nota, o Palácio do Planalto indicou que a reação brasileira ao tarifaço atuará em três frentes: diversificação de mercados, medidas de socorro às empresas afetadas e acionamento da Lei de Reciprocidade.
"Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional", escreveu.
"O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC", completou.
Novo tarifaço
O novo tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil será aplicado às mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo a partir da data de vigência. No entanto, haverá uma regra de transição: produtos que já estiverem embarcados antes de 22 de julho poderão ficar livres da sobretaxa, desde que ingressem nos Estados Unidos até 29 de julho.
A nova tarifa é adicional às alíquotas já existentes. Com isso, um produto que atualmente paga 5% de imposto de importação passará a pagar 30%, somando a tarifa regular aos 25% adicionais.
O documento também traz uma lista de produtos isentos da nova taxa, preservando itens considerados estratégicos para a economia americana ou em casos em que a oferta doméstica não é suficiente.
Entre os itens isentos estão aeronaves civis e componentes aeronáuticos, café solúvel sem sabor, mel orgânico, ferro-gusa, hidróxido de alumínio, determinados pescados, couros e peles, obras de arte, antiguidades, roupas usadas, resíduos contendo metais preciosos e diversos produtos farmacêuticos.
Por outro lado, pedidos de isenção apresentados por setores ligados a máquinas agrícolas, calçados, equipamentos elétricos, papel, aço, açúcar orgânico e diversos bens manufaturados foram rejeitados pelo USTR.


