Após tarifas dos EUA, Comissão do Senado defende diálogo e equilíbrio

Em nota, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS) disse que medidas comerciais internacionais devem ser tratadas “com responsabilidade”

Gabriela Boechat, da CNN
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Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar novas tarifas ao Brasil, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), defendeu, nesta quarta-feira (9), que medidas comerciais internacionais devem ser tratadas “com responsabilidade e dentro dos marcos do direito internacional”.

Em nota, Trad afirmou manter uma interlocução “franca e respeitosa” com a representação diplomática dos EUA no Brasil e reforçou que a comissão seguirá atuando “com equilíbrio” para manter canais abertos com todos os parceiros estratégicos.

“O Legislativo brasileiro tem papel relevante na construção de relações exteriores estáveis, responsáveis e coerentes com os princípios da soberania, do multilateralismo e da cooperação”, destacou o comunicado.

Trump afirmou que deve anunciar em breve novas tarifas ao Brasil. “O Brasil, por exemplo, não tem sido bom para nós, nada bom”, disse o republicano a jornalistas durante um encontro com líderes da África Ocidental na Casa Branca. “Vamos divulgar um dado sobre o Brasil, acredito, no final desta tarde ou amanhã de manhã.”

Nos últimos dias, os Estados Unidos vêm impondo uma série de tarifas a parceiros comerciais. Ainda nesta quarta-feira, Trump indicou que mais medidas podem ser anunciadas nas próximas horas. Entre os países afetados até o momento estão Argélia, Brunei, Iraque, Líbia, Moldávia, Sri Lanka e Filipinas, com alíquotas que chegam a 30%.

Desde o lançamento das chamadas tarifas “recíprocas”, em abril, os EUA vêm negociando novos acordos comerciais, embora poucos tenham sido concluídos — como os firmados com Vietnã e Reino Unido, além de avanços com a China.

Trump também sinalizou que as novas tarifas podem ser uma resposta a políticas que, segundo ele, se alinham à postura do Brics, grupo que o presidente americano acusa de dificultar a entrada de produtos norte-americanos em seus mercados.