Após votar por liberar parte dos penduricalhos, Fachin critica "remendos"

Presidente do STF defendeu "choque de República" no CNJ no mesmo dia em que validou regras de transição para verbas

Fernanda Fonseca, da CNN Brasil, Brasília
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O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ministro Edson Fachin, defendeu nesta terça-feira (30) um "choque de República" no sistema remuneratório da magistratura. Cerca de uma hora antes, ele votou pela liberação de parte dos chamados "penduricalhos" no Plenário Virtual da Corte.

A fala foi feita na abertura da primeira reunião do grupo de trabalho criado pelo CNJ para analisar essas verbas. No discurso, Fachin afirmou que o sistema remuneratório da magistratura "não pode mais permanecer refém de improvisações sucessivas, de soluções casuísticas e de remendos episódicos".

No voto, porém, o ministro defendeu as regras provisórias criadas pelo CNJ e pelo CNMP para disciplinar o pagamento de penduricalhos a juízes e integrantes do Ministério Público. Para Fachin, a resolução cumpre decisão anterior do STF e busca padronizar as rubricas até que o Congresso aprove uma lei nacional sobre o tema.

Na prática, Fachin votou para preservar três pontos da resolução: a gratificação de proteção à primeira infância e à maternidade; a PVTAC (Parcela de Valorização por Tempo de Antiguidade na Carreira) para inativos e pensionistas; e a possibilidade de pagamento de diárias e ajudas de custo fora do limite mensal de 35% do subsídio.

Mas ao mesmo tempo em que defendeu um modelo mais simples, transparente e sustentável para as próximas décadas, Fachin sustentou que a transição não deve cortar de forma indiscriminada verbas que considera legítimas ou vinculadas a situações específicas de trabalho.

No discurso, o ministro afirmou que o país precisa superar a lógica das soluções fragmentadas e construir um modelo "juridicamente consistente, financeiramente sustentável, nacionalmente uniforme e socialmente compreensível".

Também disse que a reflexão pode alcançar não apenas a magistratura, mas "todo o serviço público do Brasil".

Já no voto, Fachin afirmou que a gratificação de proteção à primeira infância e à maternidade não representa complemento salarial. A verba, de até 3% do subsídio, é paga a magistrados e membros do Ministério Público com filhos de até seis anos.

Para o ministro, a medida funciona como um mecanismo de apoio ao custeio da educação infantil e de promoção da igualdade de gênero.

Outro ponto defendido pelo ministro foi a exclusão de diárias e ajudas de custo do limite de 35% do subsídio. Para Fachin, submeter essas verbas a teto poderia inviabilizar deslocamentos de magistrados para mutirões, inspeções e ações de Justiça itinerante.

O julgamento está com o placar de 6 a 4. O caso estava em análise no plenário virtual da Corte e tem encerramento oficial ainda na noite desta terça-feira (30), às 23h59.

Prevaleceu a posição conjunta dos relatores Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, acompanhada por Fachin e Cármen Lúcia.