"Ato político inaceitável", diz CGU sobre Lei Magnitsky contra Moraes

Vinicius Marques de Carvalho afirma que governo Trump fere soberania e busca intimidar o Brasil

Davi Vittorazzi, da CNN, Brasília
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O ministro Vinicius Marques de Carvalho, da CGU (Controladoria-Geral da União) afirmou nesta quarta-feira (29) que a sanção do governo americano contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), é um "ato político inaceitável".

"A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar a Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes é um ato político inaceitável, grave e sem precedentes. A medida fere frontalmente a soberania do Brasil e busca intimidar instituições que atuam de forma independente e em estrita observância à Constituição de 1988", frisou Carvalho.

Em post nas redes sociais, o chefe da CGU destacou que Moraes cumpre seu dever previsto na Constituição Federal de "defender a democracia e assegurar que a lei prevaleça".

Segundo Carvalho, o país não vai se constranger diante das sanções e das "tentativas abusivas de deslegitimar os Poderes constituídos". Ele defendeu que o Brasil tem instituições consolidadas e comprometidas com a defesa da democracia.

Ao aplicar a Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo, o governo americano citou os processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que o magistrado autorizou detenções preventivas arbitrárias e suprimiu liberdade de expressão.

Segundo o comunicado do Departamento do Tesouro dos EUA, todos os bens e interesses de Moraes que "estejam nos Estados Unidos ou em posse ou controle de cidadãos americanos" estão bloqueados e devem ser reportados ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros.

Ainda nesta tarde, por nota, o ministro Jorge Messias, da AGU (Advocacia Geral da União), afirmou que a medida “representa um grave e inaceitável ataque à soberania do nosso país”.

Messias ressaltou que “todas as medidas adequadas, que são de responsabilidade do Estado brasileiro para salvaguardar sua soberania e instituições, especialmente em relação à autonomia de seu Poder Judiciário, serão adotadas”.

Até o momento, nem o gabinete de Alexandre de Moraes, nem a presidência do STF se manifestaram sobre a medida do governo americano.