Aumento de auxílio ajuda Bolsonaro, mas não a ponto de vencer Lula no Nordeste, diz Lira

Declaração foi realizada em conversa com interlocutores

Luciana Amaral e Larissa Rodrigues, da CNN, em Brasília

Na avaliação do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), o aumento em R$ 200 do Auxílio Brasil aprovado pelo Congresso com a articulação do governo federal vai ajudar o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), na corrida pelo Planalto na eleição de 2 de outubro.

No entanto, não a ponto de Bolsonaro vencer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Nordeste, afirmou em conversas reservadas.

O Congresso promulgou, nesta quinta-feira (14), emenda constitucional que prevê um pacote de benefícios a três meses das eleições que inclui o aumento em R$ 200 do Auxílio Brasil de 1º de agosto até 31 de dezembro deste ano. A medida deve fazer com que o valor da ajuda passe de R$ 400 para R$ 600 neste período. A previsão é que o reajuste temporário custe R$ 26 bilhões aos cofres públicos até o final do ano.

Lira foi um dos principais articuladores do pacote de benefícios no Congresso. Ele, inclusive, ajudou a agilizar a tramitação do texto, e defende que todas as ações foram tomadas com respaldo no regimento interno. A intenção do governo federal é começar os pagamentos de auxílios previstos na primeira quinzena de agosto – o pacote também prevê ajuda a caminhoneiros e taxistas, além de um aumento no vale-gás, por exemplo.

 

Ainda assim, nos bastidores, Lira manifestou não acreditar que a situação de Bolsonaro mude drasticamente no Nordeste. Segundo ele, apurou a reportagem com interlocutores do deputado, Bolsonaro pode até ganhar mais votos no Nordeste se comparado ao resultado das eleições de 2018, mas os benefícios não serão suficientes para que ultrapasse Lula na região.

Lula e Bolsonaro lideram as pesquisas de intenção de voto para a disputa presidencial. Pesquisa Datafolha divulgada em 23 de junho aponta que, para o primeiro turno, Lula tem 47% das intenções de voto contra 28% de Bolsonaro. No Nordeste, Lula conta com 58% das intenções de voto contra 19% de Bolsonaro. No Sudeste, Lula conta com 43% versus 29% de Bolsonaro, de acordo com a pesquisa.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09088/2022.

A oposição a Bolsonaro alegou que o pacote tem objetivo eleitoreiro ao longo da tramitação do pacote de benefícios. Apesar das críticas, porém, no final das contas, a maior parte da oposição votou a favor do texto no Parlamento. Lira considera que a oposição está “com medo [do aumento] dos R$ 200” e transformou a análise do texto numa “briga eleitoral”.

Nas conversas reservadas, Lira disse que a eleição vai ser decidida de acordo com o desempenho dos candidatos no Sudeste. Em especial São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Integrantes do centrão veem um esforço quase que nulo do Bolsonaro no Nordeste e preferem que o presidente reforce a campanha no Sudeste.

Para um vice-líder do governo na Câmara, o “segredo dos candidatos é não gastar energia nos pontos fracos”. No caso de Bolsonaro, citou como exemplo justamente o Nordeste. Uma necessidade, avaliou, é apoiar e investir mais na campanha do ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas ao governo estadual de São Paulo.