Barroso diz que Lula já suspeitava de sua aposentadoria

"Nos encontramos no show da Maria Betânia", disse o ministro; caberá ao presidente indicar seu sucessor no STF

Maria Clara Matos e Helena Prestes, da CNN Brasil, São Paulo e Brasília
Luís Roberto Barroso e Luiz Inácio Lula da SIlva  • Antônio Cruz/Agência Brasil
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Em conversa com a imprensa após anunciar sua aposentadoria do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Luís Roberto Barroso afirmou que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já suspeitava de que ele iria deixar o cargo.

De acordo com Barroso, a impressão ficou à mostra após um encontro recente entre os dois.

"O presidente Lula já suspeitava, pois nos encontramos no show da Maria Betânia e eu falei que precisávamos conversar", afirmou o ministro.

Lula esteve no último sábado (4) junto à primeira-dama Rosângela da Silva no show da cantora Maria Bethânia, que aconteceu na capital paulista. A agenda oficial da Presidência da República não havia informado compromissos do presidente em São Paulo durante este fim de semana.

Com a saída de Barroso, Lula terá agora mais uma indicação a fazer para ocupar uma das onze cadeiras do Supremo. O petista já havia indicado quatro nomes que estão hoje na Corte: Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Dias Toffolli.

Ainda em conversa com a imprensa, o ministro, que foi indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2013, disse acreditar que Lula irá realizar uma boa escolha, além de defender a presença de uma mulher na Corte. 

Saída de Luís Roberto Barroso do STF

Dias após deixar a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Luís Roberto Barroso, que estava na Corte há 12 anos, anunciou a sua aposentadoria durante a sessão plenária desta quinta-feira (9).

Atualmente 67 anos, Barroso poderia ficar na Corte até os 75 anos. Agora, no terceiro mandato de Lula, um novo nome será escolhido.

O candidato terá que preencher os seguintes requisitos:

  • o candidato deve ser maior de 35 anos e ter menos de 75 anos;
  • ter conhecimento jurídico reconhecido, o chamado notável saber jurídico;
  • ter reputação ilibada, ou seja, ser pessoa idônea e íntegra.

Não há um prazo exigido para que o presidente da República indique um ministro. Um exemplo recente é o da ex-presidente Dilma Rousseff, que levou cerca de um lavo para indicar o atual magistrado Edson Fachin para a vaga que pertencia a Joaquim Barbosa em 2015.

Com a escolha de Lula, contudo, o novo possível ministro do Supremo Tribunal Federal não assumiria a cadeira automaticamente.

Ele representa uma indicação, e ainda precisa passar por uma sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, responsável por aprovar ou reprovar a indicação.

Após isso, caso o nome seja aprovado, ele segue para o plenário do Senado, onde precisa dos votos favoráveis de 41 dos 81 senadores para se tornar um novo ministro.