Bolsonaro admite discussão sobre GLO em crise com caminhoneiros

Em interrogatório, ex-presidente afirmou que que sabia que não poderia avançar para além das “questões jurídicas” e, por isso, abandonou a discussão após poucas reuniões

Gabriela Boechat, Davi Vittorazzi e Manoela Carlucci, da CNN, Brasília
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10), que discutiu a possibilidade de decretar Garantia de Lei a da Ordem (GLO) no país, em razão da paralisação de rodovias por caminhoneiros que não aceitavam a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições.

“Tratamos de GLO [em reuniões] porque os caminhoneiros estavam na iminência de parar, sobre o que poderia acontecer com aquela multidão em frente aos quartéis. Então teve reunião para tratar desses assuntos. Nós estudamos possibilidades, todas dentro da Constituição”, disse.

O ex-presidente confirmou que tinha ciência de que não poderia avançar para além das “questões jurídicas” e, por isso, decidiu abandonar essa discussão após algumas reuniões.

“Abandonamos [a ideia] e enfrentamos o fato”, esclareceu em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro é ouvido no âmbito do inquérito que apura a elaboração de um plano de golpe de Estado para impedir a posse do atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ex-presidente é acusado de não só ter elaborado, mas também editado o que ficou conhecido como “minuta do golpe”.

Ao longo de seu depoimento, no entanto, tem sustentado a ideia de que “sempre agiu dentro das quatro linhas” e que “não houve golpe nenhum”.

Além de Bolsonaro, outros cinco réus já foram ouvidos desde a última segunda-feira (09); e outros dois ainda participarão de oitivas até o final desta semana.

Todos eles fazem parte do chamado “núcleo 1”, ou “núcleo crucial” do golpe.