‘Bolsonaro confunde interesses pessoais com os da República’, diz Marina Silva

Ex-ministra falou sobre as polêmicas envolvendo o governo e o cenário político para as próximas eleições presidenciais

Marina Silva
Marina Silva Foto: Reprodução/ Twitter

Da CNN, em São Paulo

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A ex-ministra Marina Silva comentou, nesta segunda-feira (27), as atitudes políticas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), enquanto o Brasil enfrenta a crise econômica e social causada pela pandemia do coronavírus. Em entrevista ao canal My News, Marina falou sobre as polêmicas envolvendo o governo e sobre o cenário político para as próximas eleições presidenciais. 

Em análise aos recentes acontecimentos envolvendo Bolsonaro e a exoneração do ex-diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, situação que acarretou a demissão de Sergio Moro do ministério da Justiça, Marina foi enfática ao citar problemas que “ferem a constituição”.

“Estamos numa situação em que o presidente da república transforma os interesses da república em interesses pessoais, e isso fere a constituição. As denúncias de Moro são de uma gravidade enorme, isso terá desdobramentos que haveremos de ver o quanto todas essas denúncias são incompatíveis com o princípio da constitucionalidade e tudo aquilo que é exigido do poder público”, declarou a ex-ministra.

“As denúncias são graves, a prática do presidente é de confundir interesses públicos com interesses privados”, complementou.

Marina comentou a postura do presidente Bolsonaro diante das medidas de isolamento social devido à pandemia do coronavírus. “Estamos passando por duas crises terríveis, da COVID-19 e da política. Talvez o Brasil seja um dos poucos países do mundo fazendo uma crise política de disputa de poder, em meio a uma crise de pandemia. Até Israel está sugerindo cessar fogo para cuidar do coronavírus, mas no Brasil, temos um governo incentivando a população a se contaminar e fica brigando com políticos, imprensa e cientistas”.

Ainda durante entrevista, Marina Silva ressaltou sua opinião sobre as medidas tomadas pelo presidente. “Ele vai para o tudo ou nada, ele é inteiramente genocida e irresponsável, quem fala para a pessoa ir para a rua? Quem tem responsabilidade com a saúde pública, não vai falar para o povo ir para for se contaminar. Mais de um ano de governo e ele claramente sabe que não é capaz de governar em uma democracia, primeiro porque ele não tem competência, fica o tempo todo flertando com a capacidade de uma ditadura, porque desse jeito não precisa ter inteligência nem competência”.

Sobre o cenário para as eleições presidenciais de 2022, Marina Silva destacou que, diante da crise atual, não é o momento para discutir possíveis nomes, mas discursou sobre a polarização política no Brasil.

“Os eleitores vêm de uma grande decepção, tanto com a esquerda, o centro e a centro-esquerda, em função de casos de corrupção. São recalques políticos que geraram a decepção nos ditos campos mais populares dos partidos brasileiros. No Brasil tudo vira polarização, entre império e república, indústria e agricultura, ditadura e democracia, aí polarizamos entre Arena e PMDB, PT e PSDB, e agora o cúmulo do empobrecimento, que é Lulismo e Bolsonarismo. Não é projeto de poder, é projeto de país”, finalizou. 

 

 

 

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