Bolsonaro diz à PF que não contatou autoridades dos EUA sobre sanções
Depoimento ocorreu em inquérito que apura atuação de filho do ex-presidente, Eduardo, nos EUA

Em depoimento à Polícia Federal (PF), o ex-presidente Jair Bolsonaro negou ter feito contato com autoridades americanas para tratar sobre sanções contra autoridades brasileiras.
O depoimento de Bolsonaro ocorreu nesta quinta-feira (5), no inquérito que apura a atuação do filho do ex-presidente, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos.
Bolsonaro pontuou à PF que recebeu o conselheiro sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos Ricardo Pita. Mas, quando questionado sobre o teor da conversa entre ambos, disse que "foi uma conversa de teor reservado", segundo relatório da corporação.
Em relação à atuação de Eduardo nos EUA, Bolsonaro disse que o filho não busca interferir em sua situação jurídica no Supremo Tribunal Federal (STF), onde é réu na ação penal que trata sobre um suposto golpe de Estado contra o resultado da eleição presidencial de 2022.
O ex-presidente também afirmou à PF que "não auxilia ou determina" o que Eduardo deve fazer no exterior, e que o filho realiza ações "independentes" e "por conta própria".
Inquérito
O inquérito contra Bolsonaro foi aberto pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no final de maio.
Eduardo está nos Estados Unidos alegando estar buscando, junto ao governo Donald Trump, viabilizar sanções contra autoridades judiciárias brasileiras.
Também em maio, o secretário de Estado dos EUA, Marcio Rubio, afirmou que Moraes, relator de inquéritos que miram contra Bolsonaro e aliados, tinha "grande possibilidade" de sofrer sanções pelo governo americano.
As sanções ocorreriam com base na Lei Magnitsky, aplicada pelo EUA e que poderia levar o magistrado a ficar proibido de entrar no país.
* Com colaboração de Henrique Sales Barros


