Bolsonaro diz que não fez nenhuma doação para Carla Zambelli

Ex-presidente prestou depoimento na tarde desta quinta-feira (5) à PF

Maria Clara Matos e Teo Cury, da CNN, São Paulo e Brasília
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Em depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (5), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que não realizou nenhuma doação à deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP).

A declaração foi feita por Bolsonaro em condição de testemunha no inquérito que apura a conduta do seu filho, o também deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos. Ele é suspeito de articular sanções com autoridades norte-americanas contra o Judiciário brasileiro.

Zambelli se encontra fora do país e teve um pedido de prisão preventiva emitido contra ela pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em maio, a deputada do PL chegou a fazer uma campanha nas redes pedindo doações via Pix. Horas depois, anunciou ter arrecadado cerca de R$ 166 mil.

Zambelli, por sua vez, foi condenada em maio deste ano a dez anos de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela anunciou sua saída do Brasil na terça-feira (3), afirmando que saiu para buscar tratamento médico.

Moraes, contudo, acatou o pedido de prisão da Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitou o bloqueio das redes sociais e contas bancárias da deputada e a inclusão do seu nome da lista de foragidos da Organização Internacional de Polícia Criminal, a Interpol.

O magistrado também pediu que o Banco Central (BC) detalhe as doações via Pix recebidas por Zambelli.

"Nada a ver"

Após duas horas de depoimento, Bolsonaro conversou com a imprensa na saída da sede da Polícia Federal, em Brasília. O ex-chefe do Executivo disse não ter “nada a ver” com o caso da deputada.

“Não tenho nada a ver com a Carla Zambelli, tá certo? Não botei dinheiro no Pix dela e tô aguardando. Obviamente eu acompanhei pela imprensa o caso Zambelli", afirmou ele.

Uma das apoiadoras de Bolsonaro, Zambelli já chegou a ser mencionada pelo ex-presidente como o motivo do mesmo ter perdido a disputa pela reeleição em 2022. A parlamentar licenciada é alvo de outra ação no STF, acusada de crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

Durante as eleições, ela perseguiu, com uma arma em punho, um homem durante uma discussão em São Paulo.