Bolsonaro melhora no Norte, Centro-Oeste e Sul; Lula preserva apoio no Sudeste e no Nordeste

Variações na aprovação do governo foram em menor intensidade nas duas regiões mais populosas do país

Iuri Pittada CNN

em São Paulo

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As regiões Norte, Centro-Oeste e Sul são as que apresentaram as maiores mudanças na avaliação do governo Jair Bolsonaro (PL) e, consequentemente, nas intenções de voto tanto do atual presidente quanto de seu principal adversário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de acordo com a série de pesquisas Quaest/Genial, cuja última edição foi divulgada nesta quarta-feira (16).

Em contrapartida, as variações na aprovação do governo foram em menor intensidade nas duas regiões mais populosas do país, o Sudeste e o Nordeste, que somam 69% do eleitorado.

Com isso, a recuperação de Bolsonaro não foi suficiente para reduzir a vantagem de Lula abaixo dos 20 pontos percentuais na média dos cenários testados em nível nacional — em novembro, momento de pior avaliação do governo e maior distância entre os dois pré-candidatos, o petista estava 27 pontos percentuais à frente do incumbente.

Foi no Norte que Bolsonaro mais recuperou apoio tanto ao seu governo quanto à reeleição. Em novembro, a avaliação negativa à gestão atingiu o pico de 59% dos eleitores da região. Em março, o índice caiu para 36%, mais baixo percentual desde agosto passado.

A avaliação positiva subiu de 18% para 29%. O saldo favorável ao presidente é de 34 pontos percentuais, maior avaliação entre todas as regiões do país.

Nas intenções de voto, Bolsonaro subiu de 18% para 30% nesse período, enquanto Lula caiu de 57% para 43%. A reversão de 26 pontos percentuais é significativa, mas trata-se da região com menor número de eleitores, representando 8% do colégio nacional.

É o peso equivalente ao do Centro-Oeste, outra região em que Bolsonaro recuperou significativamente seus índices de aprovação e intenção de voto.

A avaliação negativa do governo caiu 12 pontos percentuais (de 54% em novembro para 42% em março), e a positiva cresceu de 20% para 29%, um saldo de 21 pontos percentuais a favor do incumbente.

Em intenção de voto, ajudou Bolsonaro a subir de 26% para 39%, mas nessa região Lula perdeu menos apoio em comparação à região Norte: o petista foi de 34% para 29% nos últimos cinco meses. Ainda assim, foi o suficiente para ser a única região em que o presidente aparece à frente do opositor.

Intenção de votos em Lula e Bolsonaro em novembro de 2021 e março de 2022, de acordo com pesquisa Qaest/Genial / Arte CNN

Outra região relevante para a campanha de Bolsonaro registrou recuperação semelhante na avaliação do governo. No Sul, a aprovação subiu 13 pontos percentuais e a reprovação caiu outros 10 pontos percentuais.

Foi nesta região, onde vivem 15% dos eleitores, que Lula teve queda significativa da intenção de voto: de 45% em novembro, foi a 35% em março, enquanto o presidente subiu de 22% para 29% no período.

No Sudeste (43% do eleitorado) e no Nordeste (26%), o governo também registrou melhora na avaliação, mas Lula conseguiu manter os mesmos índices de intenção de voto nas duas regiões e, com isso, preservou uma vantagem significativa para um eventual retorno ao Palácio do Planalto.

O governo Bolsonaro é reprovado por 56% dos nordestinos (eram 60% em novembro) e por 47% dos eleitores do Sudeste (ante 54% há cinco meses).

A aprovação, por sua vez, ficou estável: oscilou dentro da margem de erro no Nordeste (de 16% para 18%) e manteve-se em 25% na região mais populosa do país. O saldo foi positivo para o governo em 12 pontos percentuais no Nordeste e 6 no Sudeste.

Essas variações, porém, não foram suficientes para mudar o cenário eleitoral nessas regiões. Lula obteve exatamente os mesmos índices de intenção de voto em novembro e março nas duas regiões: 60% no Nordeste e 42% no Sudeste. Bolsonaro oscilou dentro da margem de erro: foi de 25% para 26% no Sudeste e de 13% para 15% no Nordeste.

Em números gerais, a aprovação do governo subiu 5 pontos percentuais, e a rejeição caiu 7 pontos, ficando em 49% de avaliação negativa e 24%, positiva. Um em cada quatro entrevistados considera o governo regular.

Comparação entre a avaliação do governo Bolsonaro em novembro de 2021 a em março de 2022, de acordo com pesquisa Quaest/Genial / Arte CNN

O cientista político e diretor da Quaest, Felipe Nunes, destaca também os segmentos sociais em que houve maior recuperação da avaliação do governo: entre os homens (10 pontos percentuais), entre quem tem mais de 60 anos (os mesmos 10 pontos) e nas regiões mais identificadas com o agronegócio, como o Sul e o Centro-Oeste.

Entre quem votou em Bolsonaro no segundo turno de 2018, a avaliação do governo melhorou de 39% em novembro, pior índice desde agosto passado, para 49% em março, enquanto a reprovação caiu de 28% para 22% no mesmo período.

Esta edição da Quaest/Genial foi realizada por meio de entrevistas face a face com 2.000 entrevistados entre 10 e 13 de março de 2022, com pessoas de 16 anos ou mais de todas as regiões do país.

A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95%. Ou seja, se 100 pesquisas fossem realizadas, ao menos 95 apresentariam os mesmos resultados dentro desta margem.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06693/2022.

Os dados referentes a novembro de 2021 referem-se à pesquisa realizada também por meio de entrevistas face a face, entre os dias 3 e 6 daquele mês, com 2.063 eleitores de 16 anos ou mais.

A margem de erro estimada é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95%. Como o levantamento é anterior a janeiro de 2022, não havia obrigatoriedade de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nos recortes regionais, como há um número menor de entrevistados, há um aumento na margem de erro de cada subgrupo populacional. A Quaest adota técnicas estatísticas para mitigar esse efeito e permitir uma comparação mais acurada nesses estratos.

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