Bolsonaro nunca defendeu golpe de Estado, diz presidente do PL à CNN

Valdemar Costa Neto comentou declaração do tenente-coronel Mauro Cid; de acordo com militar, Bolsonaro se reuniu com cúpula das Forças Armadas para discutir detalhes de plano que visava sua continuidade no poder após eleições de 2022

Da CNN Brasil
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O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou ao âncora da CNN Gustavo Uribe que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nunca defendeu golpe de Estado.

O tenente-coronel Mauro Cid disse à Polícia Federal que Bolsonaro se reuniu com a cúpula do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para discutir detalhes de um plano de golpe para não deixar o poder.

O encontro teria ocorrido quando Bolsonaro ainda estava na presidência, após as eleições do ano passado.

A informação confirmada pela CNN foi revelada primeiramente por O Globo e UOL nesta quinta-feira (21).

Segundo fontes com acesso à investigação, Cid detalhou duas situações. Em uma delas, cita que Bolsonaro recebeu em mãos uma minuta golpista. Em outro momento, o ex-ajudante de ordens detalha a reunião com a cúpula militar.

No encontro, as Forças Armadas teriam sido consultadas sobre a possibilidade de uma intervenção militar.

A resposta da cúpula da Marinha, ainda segundo Mauro Cid, teria sido que as tropas estavam prontas para agir, apenas aguardando uma ordem dele. Já o comando do Exército não teria aceitado o plano.

Esse depoimento sobre plano golpista e minuta do golpe é um dos pontos analisados na delação premiada fechada por Mauro Cid com a Polícia Federal.

O tema é tratado com cautela e sigilo. Para os fatos serem validados e as pessoas citadas pelo tenente-coronel serem eventualmente responsabilizadas, é preciso que haja provas que corroborem as informações repassadas pelo ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.

Em nota, o advogado de Cid, Cezar Bitencourt, disse que não confirma o conteúdo da delação por se tratar de assunto sigiloso.

Procurada, a defesa de Bolsonaro ainda não respondeu à reportagem

CNN também entrou em contato com Exército, Marinha e Aeronáutica. Mas ainda não teve retorno.

(Publicado por Lucas Schroeder, da CNN, em São Paulo)