Bolsonaro prepara ambiente de tumulto para eventual derrota em 2022, diz Aloysio

Ex-senador e ex-ministro afirmou que o PSDB não contestou resultado das urnas em 2014 e nunca quis "refazer o passado"

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo

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O ex-senador e ex-ministro Aloysio Nunes (PSDB-SP) afirmou em entrevista à CNN que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usa um método político para desacreditar o sistema eleitoral brasileiro.

Na avaliação do tucano, o chefe do Executivo está preparando um ambiente para criar um tumulto em uma eventual derrota nas eleições de 2022.

“Há semelhança com o que aconteceu nos Estados Unidos. Há um método de desqualificação do sistema eleitoral para vir, mais tarde, a contestar o resultado”, disse.

Nunes ressaltou que o PSDB não contestou o resultado das urnas em 2014 — quando ele era vice na chapa do presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG) — e que a contratação de uma empresa de auditoria por parte da sigla foi para “verificar se havia problemas que pudessem abalar sua credibilidade”.

“Nós requeremos ao TSE [Tribunal Superior Eleitoral] e fomos autorizados para que uma empresa de auditoria pudesse passar em revista todos os procedimentos para que se houvesse algum problema pudesse ser corrigido no futuro”, afirmou. “Nós nunca quisemos refazer o passado”.

O ex-ministro disse ainda que o PSDB acionou o TSE para reclamar de determinadas práticas do PT, como disparo de mensagens em massa e propagação de fake news. 

“Aliás, o presidente usa e abusa [dessas práticas] atualmente”, avaliou.

De acordo com Nunes, “essas declarações alucinadas sobre urna eletrônica são feitas para manter a chama acessa”. Dessa forma, avalia o ex-senador, fica impossível que partidos contrapostos nas eleições, com programas diferentes, possam se entender acerca de questões gerais para o Brasil. 

“Eu acho que é necessário a pacificação das opiniões do Brasil. Essa pacificação não será possível com uma pessoa como Bolsonaro. Ele é um extremista, de extrema-direita, que não tem apreço ao sistema democrático, que se considera o salvador da pátria”, indagou.

Nesta terça-feira (20), Bolsonaro afirmou em entrevista à rádio Itatiaia que apresentará “provas de fraudes” nas eleições “na semana que vem”. Segundo ele, se trata de fraude cometida nas eleições de 2014.

“Eu espero na semana que vem apresentar as provas de fraudes. Vamos apresentar uma fraude de 2014”, disse o presidente. “Eu só consegui ser eleito porque tive muito voto. Eu vou comprovar semana que vem que teve fraude nas eleições de 2014. Vão vir hackers para mostrar”, completou.

Aloysio Nunes, ex-senador e ex-ministro em entrevista à CNN (20.jul.2021)
Aloysio Nunes, ex-senador e ex-ministro em entrevista à CNN (20.jul.2021)
Foto: CNN Brasil

Nome do PSDB para 2022 e possível apoio um candidato de fora da sigla

Aloysio Nunes informou que o PSDB quer ter um candidato para concorrer ao Palácio do Planalto em 2022, mas admitiu a importância de haver “a possibilidade de uma aglutinação em torno de um nome que queira representar esse contingente grande do eleitorado que não apoia Bolsonaro e nem Lula”.

“Se nós queremos ter uma convergência, nós não podemos ter uma atitude arrogante e dizer: ‘nós queremos o apoio dos outros, mas não vamos apoiar ninguém’. Isso é um absurdo. Um gesto, do ponto de vista político, absolutamente descabido”, disse.

Segundo o ex-senador, para que uma terceira via se torne viável, não basta dizer apenas que é contra Lula ou Bolsonaro. Na avaliação dele, é necessário a apresentação de um programa “sedutor e bem amarrado”.

A CNN procurou o Palácio do Planalto para comentar as declarações de Aloysio Nunes, mas não obteve respostas até a publicação desta nota.

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