Bolsonaro rejeita sugestão de Temer, que, em nota à CNN, defendeu revogação do perdão a Silveira

Ex-presidente sugeriu que Bolsonaro aguardasse conclusão do processo contra o deputado para evitar crise entre os poderes

Fábio Munhozda CNN

Em São Paulo

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Após sugestão do ex-presidente Michel Temer (MDB), o presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou nesta sexta-feira (22) que não irá revogar o perdão concedido na quinta (21) ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana a 8 anos e 9 meses de prisão por ter ameaçado ministros da Corte em vídeos publicados nas redes sociais.

Em seu Twitter, Bolsonaro compartilhou reportagem da CNN com o posicionamento do ex-presidente sobre a medida que beneficia o deputado e se manifestou apenas com um “não”.

Temer enviou nota à CNN nesta sexta sugerindo que Bolsonaro revogasse o perdão a Daniel Silveira e esperasse o fim do julgamento para tomar alguma medida, com intuito de evitar “crise institucional entre os poderes”.

No ano passado, Temer chegou a atuar como uma espécie de conselheiro de Bolsonaro. Após declarações polêmicas dadas pelo presidente nas comemorações do 7 de Setembro, Bolsonaro divulgou uma carta à Nação redigida por Temer. “Eu estou ajudando a pacificar o país. Até pelo tom da nota, ela é de harmonia entre os Poderes. Não fiz mais do que venho fazendo em toda a minha vida pública”, afirmou o ex-presidente à época.

Confira a íntegra da nota enviada por Temer à CNN

“Como a decisão do STF sobre o processo contra o deputado Daniel Silveira ainda não transitou em julgado, o ideal, para evitar uma crise institucional entre os poderes, é que o Presidente da República revogue por ora o decreto e aguarde a conclusão do julgamento. Somente depois disso, o Presidente poderá, de acordo com a Constituição Federal, eventualmente, utilizar-se do instrumento da graça ou do indulto. Este ato poderá pacificar as relações institucionais e estabelecer um ambiente de tranquilidade na nossa sociedade. Nesse entre-tempo poderá haver diálogo entre os Poderes. O momento pede cautela, diálogo e espírito público.”

 

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