Bolsonaro muda estratégia ao comunicar antes a Fux sobre indicação de Mendonça

O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, em entrevista coletiva
O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, em entrevista coletiva Foto: Anderson Riedel/PR (10.jun.2020)

Teo Cury, da CNN, em Brasília

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Diferentemente do que fez em sua primeira indicação ao Supremo Tribunal Federal, no ano passado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comunicou a Luiz Fux com antecedência a intenção de indicar André Mendonça para a vaga de Marco Aurélio Mello, de acordo com fonte do STF.

A conversa entre os dois sobre o nome para a vaga a ser ocupada aconteceu no início de junho, quando se reuniram por 20 minutos no gabinete da presidência do STF. No encontro, Fux pediu que o presidente, por cortesia, esperasse a aposentadoria de Marco Aurélio antes de oficializar a indicação de André Mendonça.

O gesto mostra uma mudança de estratégia do presidente na relação com o presidente do STF.  Na indicação do então desembargador Kassio Nunes Marques ao STF, Bolsonaro deixou Fux fora das conversas que antecederam a decisão. O ministro, à época recém-empossado presidente, não foi consultado, nem sequer comunicado sobre a indicação de Nunes Marques para a cadeira de Celso de Mello.

O presidente da República chegou a levar o então desembargador à casa do ministro Gilmar Mendes, onde também estavam Dias Toffoli, que havia deixado a presidência da Corte, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

A indicação de Nunes Marques acabou gerando outro constrangimento internamente, além da exclusão do presidente da Corte das conversas. Bolsonaro oficializou o anúncio do desembargador no dia 1º de outubro, doze dias antes de Celso de Mello deixar a cadeira. Esse teria sido o motivo pelo qual Fux pediu em junho que Bolsonaro aguardasse a aposentadoria de Marco Aurélio, no dia 12 de julho, para oficializar o nome de Mendonça.

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