Bolsonaro volta a atacar vacinação infantil e Anvisa

Em entrevista, presidente disse desconhecer mortes de crianças pela doença; segundo Ministério da Saúde, foram 311

Críticas foram feitas pelo presidente Jair Bolsonaro após anúncio do início da campanha de vacinação em crianças
Críticas foram feitas pelo presidente Jair Bolsonaro após anúncio do início da campanha de vacinação em crianças Ueslei Marcelino/Reuters (13.dez.2021)

Julliana Lopesda CNN

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Um dia depois de o governo federal anunciar o cronograma de imunização infantil contra a Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar a vacina para crianças.

Em uma entrevista à TV Nova Nordeste, de Pernambuco, Bolsonaro disse que não vai vacinar a filha de 11 anos e acusou os técnicos da Anvisa de terem algum interesse na liberação da vacina.

“A Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] lamentavelmente aprovou a vacina para crianças entre 5 e 11 anos. A minha opinião eu quero dar para você aqui. A minha filha de 11 anos não será vacinada”, disse Bolsonaro.

“E você vai vacinar seu filho contra algo que o jovem por si só uma vez pegando o vírus a possibilidade de ele morrer é quase zero? O que é que está por trás disso? Qual é o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual é o interesse daquelas pessoas ‘taradas por vacina’? é pela sua vida? É pela sua saúde? Se fosse estariam preocupados com outras doenças do Brasil, que não estão”, acrescentou o presidente.

Nesta quarta-feira (6), o Ministério da Saúde voltou atrás na decisão de exigir prescrição médica para a vacinação infantil, que não será obrigatória. A previsão é que a imunização comece em dez dias.

Na entrevista desta manhã, Bolsonaro questionou: “Eu pergunto, você tem conhecimento de uma criança de 5 a 11 anos que tenha morrido de Covid? Eu não tenho”.

Segundo dados do próprio Ministério da Saúde, 311 crianças de cinco a 11 anos morreram vítimas da Covid-19 desde o início da pandemia.

O presidente falou ainda sobre possíveis efeitos colaterais da vacina, e sugeriu que a população procure conselhos, mas não necessariamente de médicos.

“Converse com os seus vizinhos. Quantos garotos contraíram Covid e não aconteceu absolutamente nada com ele?”, sugeriu Bolsonaro.

As declarações do presidente foram rebatidas pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Em uma nota de repúdio que não cita o nome de Bolsonaro, os médicos afirmaram que “a população não deve temer a vacina, mas, sim, a doença que ela busca prevenir”. E que a “vacina previne a morte, a dor, sofrimento, emergências e internação em todas as faixas etárias”.

A nota diz ainda que negar esse benefício e desestimular a adesão dos pais à imunização dos seus filhos é “um ato lamentável e irresponsável, que, infelizmente, pode custar vidas”.

A queda de braço entre o presidente e a Anvisa ganhou força em dezembro, quando a agência aprovou o uso do imunizante da Pfizer para a faixa etária de cinco a 11 anos.

Jair Bolsonaro ameaçou divulgar os nomes dos técnicos que liberaram a vacina, gerando uma onda de intimidação.

O diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, um oficial da reserva da Marinha, foi indicado pelo próprio Bolsonaro. E tem se queixado que o Planalto tem excluído a agência das decisões sobre a pandemia.

Na noite desta quinta-feira (6), na live que faz semanalmente, o presidente voltou a atacar a Anvisa.

A CNN procurou a Anvisa para comentar as declarações de Bolsonaro, mas não obteve resposta.

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