Boris Casoy: Bolsonaro comete erro gravíssimo ao não adiar viagem à Rússia

No quadro Liberdade de Opinião desta segunda-feira (14), o jornalista Boris Casoy falou sobre viagem do presidente para encontro com Vladimir Putin em Moscou

Fabrizio Neitzke, da CNN, Em São Paulo
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No quadro Liberdade de Opinião desta segunda-feira (14), o jornalista Boris Casoy comentou sobre a viagem do presidente Jair Bolsonaro (PL) à Rússia para um encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, em meio a fortes tensões militares do país com a vizinha Ucrânia.

No último mês, a Rússia deslocou cerca de 100 mil soldados próximos à fronteira e vem dado indícios de que pode invadir o território ucraniano a qualquer momento. As ameaças são alvo de repulsa dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em especial, dos Estados Unidos, que autorizou o destacamento de mais tropas na região do Leste Europeu.

Para Boris Casoy, na época do agendamento da visita – feito há mais de um ano – a crise russa com a Otan ainda era inexistente. Ainda assim, o jornalista classifica como "erro gravíssimo" a decisão de não adiamento da viagem por parte de Bolsonaro e sua comitiva.

"Ir a um país que está ameaçando, ou é visto como quem está ameaçando outro país de invasão, é um momento muito grave. Não é um momento só entre Rússia e Ucrânia, é um momento entre Rússia e sua área de influência e o resto da Europa junto dos Estados Unidos", disse.

Casoy relembrou que Putin já realizou uma invasão na Ucrânia antes – quando anexou a região da Crimeia em 2014 – e que, desta vez, está avaliando o custo-benefício de uma nova ação militar, tendo posteriormente enfrentado "consequências mínimas". "Dessa vez, os EUA e a Otan estão falando mais alto, ameaçando retaliações gigantescas", destacou.

O comentarista também considera que a presença e as declarações de Bolsonaro colocam o Brasil em uma posição "muito incômoda" de leitura de apoio a um país considerado agressor, ressaltando a "estratégia imperialista" russa com relação aos territórios fronteiriços.

"O Brasil não tem que se meter nessa história. Tem que ter relações comerciais muito boas com a Rússia, com a Ucrânia, com a Otan, com todo mundo. Mas não pode se envolver. A presença do presidente é um risco de envolvimento. Como é que vai ser lida a presença de Bolsonaro exatamente na hora da maior tensão entre a Rússia e o ocidente?", questionou.

Casoy, por fim, defendeu uma postura mais assertiva do Itamaraty – um ministério "respeitado em todo o mundo" –, compelindo Bolsonaro a adiar a viagem. "Não seria nada grave nas relações Brasil e Rússia... perfeitamente compreensível. Agora, corremos riscos imensos", concluiu.

Notícias-crime contra Bolsonaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) três noticias-crime movidas por parlamentares contra o presidente Bolsonaro.

O presidente é alvo de ações que o acusam de ter cometido os crimes de corrupção passiva, prevaricação e advocacia administrativa em favor do empresário Luciano Hang. Em dezembro, Bolsonaro afirmou ter demitido diretores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), depois que a instituição interditou uma obra de Hang.

Mendonça rejeitou um pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) para que ele se declarasse suspeito para analisar as notícias-crime.

Urnas eletrônicas

Durante o fim de semana, Bolsonaro voltou a criticar as urnas eletrônicas. Em entrevista à Rádio Tupi, ele afirmou que as Forças Armadas levantaram dúvidas sobre o sistema eleitoral e voltou a declarar que o sistema não é de confiança de todos.

Já o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Luís Roberto Barroso, falou, em entrevista ao Jornal O Globo, que Bolsonaro tinha dado a palavra de que o assunto estava encerrado, e que o discurso é "repetido e vazio".

O ministro ainda acrescentou que Bolsonaro foi intimado a apresentar provas contra o sistema eleitoral, mas “não mostrou coisa alguma".

Federação entre PT e PSB

As negociações regionais entre PSB e PT visando a disputa do Palácio do Planalto tiveram uma trava no fim de semana, depois que o ex-ministro da Justiça e pré-candidato à Presidência pelo Podemos, Sergio Moro, foi recebido pelo governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB).

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou à CNN que o gesto de Casagrande foi uma "sinalização muito ruim". A articulação para que o PT não tenha candidato próprio no estado estava avançada, mas a recepção a Moro não foi bem digerida por petistas.

O Liberdade de Opinião teve a participação de Boris Casoy e Fernando Molica. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários.