Boris Casoy: Encontro de Bolsonaro e ministros do STF teve "clima de geladeira"

No quadro Liberdade de Opinião desta terça-feira (8), Boris Casoy fala sobre relações entre os poderes Executivo e Judiciário, e o convite a Bolsonaro para posse do TSE

Fabrizio Neitzke, da CNN, Em São Paulo
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No quadro Liberdade de Opinião desta terça-feira (8), o jornalista Boris Casoy avaliou o encontro entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Edson Fachin na tarde de segunda.

Em meio a tensões entre os Poderes e em menos de 10 minutos, os magistrados entregaram formalmente um convite a Bolsonaro para a posse do novo comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O mesmo convite também foi feito ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e ao do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Para Boris Casoy, o encontro de Bolsonaro com os ministros teve "clima de geladeira", dada a falta de diálogo entre as partes e as recentes acusações públicas – o comentarista relembrou a convocação para que o presidente fosse depor na Polícia Federal de um dia para o outro feita por Moraes.

"O Brasil é um país grande, sofisticado, cheio de problemas e alvo do interesse internacional, porque é um país potencialmente muito rico. De todos os nossos problemas e sofrimentos, só faltava uma 'pinimba' dessas entre o Supremo e o presidente da República", afirmou.

Segundo o jornalista, há um histórico de confusões entre o Executivo e o STF – bem como entre o STF e o Legislativo – e não é possível favorecer nenhum dos lados na discussão. "Nenhum dos dois tem razão. A condução tem sido péssima por parte dos dois lados."

"Você tem um presidente intransigente, que cisma com as coisas, fala antes de pensar. Do outro lado, você tem um Supremo dividido em vários pequenos "supreminhos". Uma coisa absurda em um país que podia ser, sob esse aspecto, melhor organizado", destacou.

Casoy classificou as atuais discussões como motivadas por um momento extremamente politizado e ideológico e afirmou que o país não merece esse tipo de conduta, ressaltando que políticos não estão sozinhos no cenário nacional. "Há toda uma população que depende de seus cérebros e suas decisões."

"É uma população correta, honesta, decente, cordata e cordeira demais que merece a consideração e que merece uma democracia de melhor qualidade, para qual não vejo uma contribuição que deveria ser dada de maneira muito mais contrastada, tanto do Executivo quanto do Legislativo", finalizou.

Previsão de inflação

A projeção do mercado financeiro para a inflação em 2022 subiu pela quarta semana consecutiva. A média das previsões para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcançou 5,44%, ante 5,38% na semana anterior.

Os dados são do Boletim Focus, do Banco Central (BC). O documento reúne a estimativa de mais de 100 instituições do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos.

Se confirmado o valor, 2022 será o segundo ano de rompimento da meta da inflação – que, neste ano, era projetada para ficar abaixo dos 5%.

Carta de compromisso de Moro

Pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro marcou um evento com evangélicos em Fortaleza, no Ceará, para divulgar a versão definitiva de sua carta de princípios aos cristãos.

A lista possui 14 compromissos, além da atuação de organizações como as comunidades terapêuticas no atendimento a usuários de drogas, e o trabalho de chamadas "entidades confessionais ou laicas" voltadas à ressocialização de presos.

A carta também trata do veto à propaganda política em cultos, a não ampliação da legislação sobre o aborto e o combate à sexualização precoce de crianças e adolescentes.

Federação entre PT e PSB

A formação da federação entre o PT e o PSB enfrenta entraves após as últimas declarações do presidente do PSB, Carlos Siqueira, causarem desconforto entre petistas.

Nos últimos dias, o PT decidiu retirar a pré-candidatura do senador Humberto Costa ao governo de Pernambuco – ele possuía 30% das intenções de voto – para apoiar um candidato dos possíveis aliados na federação.

Segundo informações da âncora da CNN Daniela Lima, um dirigente do PT revelou que as declarações de Siqueira irritaram todos no partido e que membros petistas estão "sem paciência" sobre a forma como o PSB está impondo suas condições.

O Liberdade de Opinião teve a participação de Boris Casoy e Fernando Molica. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários.