Boris Casoy: PF tem interesses conflitantes; legislação deveria ser mais clara
No quadro Liberdade de Opinião desta quarta-feira (9), Boris Casoy fala sobre trabalho da Polícia Federal em inquérito que apura vazamento de dados de ataque hacker ao TSE
No quadro Liberdade de Opinião desta quarta-feira (9), o jornalista Boris Casoy conversou sobre a conclusão da Polícia Federal (PF) sobre a ação do delegado Victor Neves, responsável por entregar ao deputado Filipe Barros (PSL-PR) o inquérito que apura um ataque hacker ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2018.
Segundo a sindicância, Neves atendeu a um pedido do relator da PEC que tratava sobre o voto impresso. O delegado Daniel Carvalho Brasil, chefe do setor de inteligência policial, pontuou que, na investigação, não havia nenhum tipo de determinação de sigilo dos autos, tanto por decisão do delegado ou em virtude de alguma decisão judicial. A avaliação, porém, não responde sobre o que foi feito com o inquérito após ter sido entregue a Barros.
Para Boris Casoy, é "difícil fazer uma análise de caráter político e econômico" da atuação policial e, embora a PF seja um órgão do Executivo, a instituição costuma ter um sentido de "vida própria" em seus trabalhos.
"A gente vê que existem interesses conflitantes dentro da Polícia Federal brasileira, que é considerada uma polícia de bom nível. São interpretações diferentes de uma legislação, que deveria ser muito mais clara", destacou.
Na opinião do comentarista, a questão sobre o inquérito do ataque hacker junta nomes importantes da política brasileira, como o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, "formando um nó" e causando uma briga entre as duas partes. "É uma coisa complicada, produto de uma legislação complicada."
Qualificando a tensão entre Bolsonaro e Moraes como infantil, Casoy afirmou que a discussão não deveria envolver o país, "principalmente em meio às crises sanitária e econômica".
"A Polícia deveria caminhar em estradas mais retas. É para apurar se houve crime, mas não acabar sendo espelho de brigas infantis, porque não tem nada a ver com os interesses da população brasileira", concluiu.
Risco de alta da inflação
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) optou por não sinalizar de quanto deverá ser a próxima alta da taxa básica de juros, a Selic.
A informação está na ata da última reunião do comitê, quando foi anunciado o aumento de 1,5 ponto percentual na Selic, que chegou a 10,75% ao ano.
Segundo o BC, a decisão é por conta das incertezas quanto aos preços de ativos e commodities.
Apologia ao nazismo em podcast
O youtuber Bruno Aiub, conhecido como Monark, foi desligado do Flow Podcast – um dos maiores programas do gênero no Brasil, com mais de 3,6 milhões de inscritos – após defender a existência de um partido nazista no Brasil e o direito de alguém ser antijudeu.
A declaração foi dada em entrevista feita com a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP).
Nas redes sociais, Monark pediu desculpas e afirmou que estava "muito bêbado" durante o programa. Kataguiri, por sua vez, havia afirmado que a Alemanha errou em criminalizar o nazismo após a Segunda Guerra Mundial. O parlamentar emitiu nota dizendo não ser a favor da existência de um partido nazista.
Após as falas, o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, decidiu abrir investigação por apologia ao nazismo. Já o Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito civil para investigar as declarações.
Criação do União Brasil
Por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a criação de um novo partido, batizado de União Brasil.
O surgimento de uma nova legenda vem após a fusão do Democratas e do PSL, dando luz a maior legenda do Parlamento. Com a junção, a sigla passa a ter 81 deputados, sete senadores e três governadores, além do acesso a R$ 1 bilhão no fundo eleitoral.
O Liberdade de Opinião teve a participação de Boris Casoy e Fernando Molica. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.
As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários


