Braga Netto diz: "Estou preso"; Moraes responde: "Eu que decretei"

Ex-ministro da Defesa de Bolsonaro está preso desde dezembro e participa do interrogatório por videoconferência

Leticia Martins, Davi Vittorazzi e Maria Clara Matos, da CNN, São Paulo e Brasília
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O ex-ministro da Defesa Walter Souza Braga Netto disse, no início do interrogatório do Supremo Tribunal Federal (STF), que estava preso e em seguida, recebeu uma resposta irônica do ministro Alexandre de Moraes: "Eu sei que o senhor está preso, eu que decretei".

Veja o diálogo:

  • Moraes: O senhor já foi preso alguma vez?
  • Braga Netto: Eu estou preso, senhor presidente.
  • Moraes: Fora essa vez.
  • Braga Netto: Fora essa vez, não, senhor.
  • Moraes: Eu sei que o senhor está preso, eu que decretei.

O réu está preso desde dezembro do ano passado por tentar atrapalhar as investigações policiais. Ele participou do interrogatório por videoconferência.

Braga Netto chegou a pedir que os interrogatórios não fossem transmitidos ao vivo, o que foi negado por Moraes. A defesa do ex-ministro argumentou que a transmissão promoveria a “espetacularização” do processo, mas o ministro entendeu que não foi demonstrado “a existência de efetivo prejuízo” com a veiculação.

Todos os interrogatórios de todos os oito réus do chamado “núcleo crucial” foram transmitidos pela TV Justiça entre segunda e terça-feira.

Walter Braga Netto está preso preventivamente desde dezembro de 2024. Ele é o primeiro general quatro estrelas preso no Brasil, posto mais alto da carreira militar.

Atualmente na reserva, Braga Netto foi ministro da Casa Civil e da Defesa no governo Bolsonaro e candidato a vice-presidente na chapa que tentava a reeleição em 2022.

A Polícia Federal (PF), por sua vez, entende que o general coordenou militares golpistas, incentivou ataques por meio das milícias digitais e com as últimas revelações, também foi apontado como financiador ao ter entregado uma sacola com dinheiro a um “kid preto”.

Braga Netto também é suspeito de ter tentado conseguir informações do acordo de colaboração premiada firmado entre o Ministério Público Federal (MPF) e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL).