Brasil precisa de representantes que defendam a democracia, diz historiador

Em entrevista ao jornal El País, o ex-presidente Lula minimizou ditadura na Nicarágua e comparou Ortega a Merkel

Rafaela Larada CNN

em São Paulo

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Após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizar a ditadura de Daniel Ortega na Nicarágua e comparar o tempo em que o ditador e a chanceler alemã Angela Merkel estão no poder, o historiador e professor da Unesp Alberto Aggio afirmou que o Brasil precisa de representantes que defendam a democracia no Brasil

Na entrevista, Lula também afirmou que Ortega errou se mandou prender opositores. Para Aggio, a declaração do ex-presidente foi “infeliz” e causou impactos. “Não é à toa que diversas pessoas se manifestaram”, disse Aggio à CNN nesta quarta-feira (23).

“Tanto Lula quanto o PT são capazes de produzir discursos justificadores. O próprio PT soltou nota dizendo que há uma interpretação errônea e isso é bastante comum no PT”, avaliou Aggio.

Para o historiador, o PT ainda tem alas antigas que “fazem com que um personagem como Lula dê escorregadas que evidenciam o que está por trás”.

“Lula não pode se ausentar da política latino-americana, das que são contra a alternância de poder, que fazem repressão de candidatos, e de problemas dos mais graves contra a democracia que se passa em Cuba. Lula é personagem importante da democratização brasileira e não pode de maneira nenhuma se furtar de perceber o problema da democracia nesses países.”

Ao comparar os posicionamentos de Lula e Jair Bolsonaro, Aggio classificou as falas do atual presidente como “visceralmente contra democracia”.

“Está claro pela história, discursos e governo. Não há dúvidas sobre isso. Bolsonaro é um personagem que significa ameaça a democracia”, disse.

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