Bruno Salles: Bolsonaro mercantiliza vagas do STF para escolher indicados

No quadro Liberdade de Opinião, comentarista analisou sinalização do presidente da República em trocar indicação de André Mendonça ao Supremo

Da CNN

Em São Paulo

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No quadro Liberdade de Opinião desta quinta-feira (16), o comentarista Bruno Salles avaliou a sinalização do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para mudar a indicação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF). Um dos principais motivos é a resistência de setores do Senado ao nome de Mendonça.

O gesto acendeu um alerta na bancada evangélica, que fez reunião com Bolsonaro e Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, para tratar do tema. Após o encontro, o presidente da República  teria repetido, inclusive diante de Mendonça, que manterá sua indicação.

“O que temos de problema não são os nomes, eu não vejo um problema com nome do ex-ministro André Mendonça ou mesmo com Augusto Aras. O que está causando problema não são os nomes, mas o próprio presidente da República”, avaliou Salles.

“Bolsonaro faz isso, em primeiro lugar, ao mercantilizar a vaga do STF. Ele fala dessas duas vagas muito antes da aposentadoria dos ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello. E isso já traz uma sensação ruim, [parece que] está vendendo favor, diz que quer um ministro isso ou aquilo.”

“O presidente da República tem a prerrogativa constitucional de indicar um ministro do Supremo, mas ele não pode exigir nada dele se não o atendimento à Constituição”, afirmou o comentarista.

Salles também criticou o “rótulo” de evangélico que Bolsonaro colocou em Mendonça. Para ele, a religião em si não é um fator que deveria ser considerado para uma vaga de ministro do Supremo. “Isso começa a atravancar os nomes que são indicados, independentemente deles, por isso que o ex-ministro André Mendonça tem sofrido com isso”, disse.

“Fazer essa sabatina agora é complicado para o Senado, que vai começar a investigar a ex-esposa do presidente da República. Não acho que o Mendonça vai ser substituído por qualquer outro nome, pois, qualquer outro terá esse problema. O problema não são os nomes, é o indicador — e isso não vai mudar trocando o nome”, concluiu Salles.

O Liberdade de Opinião tem a participação de Fernando Molica e Alexandre Garcia. O quadro vai ao ar diariamente na CNN. Nesta semana, excepcionalmente, conta com a participação de Bruno Salles.

Bruno Salles no quadro Liberdade de Opinião / CNN Brasil (16.set.2021)

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários.

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