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    Eleições 2022

    Campanha de Bolsonaro diz que rádios deixaram de passar propagandas do presidente

    Campanha afirma que teve 154.085 inserções a menos do que a de Lula em rádios pelo país de 7 a 21 de outubro; TSE determina apresentação de "provas ou documentos sérios"

    Luciana Amaral

    A campanha de Jair Bolsonaro (PL) à reeleição alegou, sem provas, nesta segunda-feira (24), que rádios passaram menos propaganda eleitoral do candidato à reeleição do que o devido. Aliados do presidente afirmam que, ao todo, a campanha teve 154.085 inserções a menos do que a de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em rádios pelo país de 7 a 21 de outubro.

    O ministro das Comunicações, Fabio Faria, disse que a equipe recebeu denúncia na semana passada de que “rádios estariam publicando mais inserções do PT do que as inserções do presidente Bolsonaro”. A campanha então contratou empresa de auditoria para analisar a questão e ele se reuniu nesta segunda com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, para entregar uma parcial dos números.

    “O que a gente quer é que seja reposto para nós o mesmo tempo”, declarou Faria, embora tenha admitido não saber se daria tempo de compensar o suposto tempo perdido.

    O ministro afirmou que “agora o TSE vai investigar para saber por que essas rádios fizeram isso, de que forma foi feito isso”. Ele também disse ter sido feita uma dupla checagem por outra empresa de auditoria contratada pela campanha de Bolsonaro que apontou os mesmos números.

    Também segundo Faria, foram 12 mil inserções a menos para a campanha de Bolsonaro somente no Nordeste de 7 a 14 de outubro. Na semana seguinte, foram 17 mil inserções a menos em relação à campanha de Lula, alegou, na região. Ele disse que a Bahia é o Estado com mais discrepâncias: cerca de 7 mil inserções a mais para a campanha petista.

    O documento entregue ao TSE diz respeito somente aos primeiros sete dias de auditoria de mídia contratada pela campanha de Bolsonaro e ao Nordeste. Os demais dados deverão ser entregues posteriormente. Faria disse que a campanha do presidente ainda não se debruçou sobre os números do primeiro turno.

    TSE determina apresentação de “provas ou documentos sérios”

    Em resposta ao pedido da campanha de Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, determinou nesta segunda (24) que a coligação do presidente apresente “provas ou documentos sérios” que sustentem a alegação de que inserções a favor do candidato à reeleição deixaram de ser exibidas na região Nordeste.

    Segundo o despacho do ministro, ao qual a CNN teve acesso, a coligação de Bolsonaro nem sequer indicou ao TSE o nome das rádios, ou o dia e hora em que as inserções deixaram de ser veiculadas.

    O ministro cobrou os dados em até 24 horas. Moraes ainda afirmou que a não apresentação de provas pode levar à abertura de inquérito por suposta tentativa de perturbar a eleição.

    Campanha pede suspensão de propaganda de Lula

    No pedido ao TSE, a campanha de Bolsonaro pede a imediata suspensão da propaganda de rádio da coligação de Lula em todo o território nacional, “com a retirada e o bloqueio do respectivo conteúdo do pool de emissoras, bem como a notificação individualizada das emissoras de rádio envolvidas, até que se atinja o número de inserções usurpadas da coligação peticionária”.

    Também pede a “apuração administrativa do fato, por meio da instauração do respectivo processo administrativo, com vistas à responsabilização dos envolvidos”.

    Integrante da campanha de Bolsonaro, Fabio Wajngarten disse que as inserções não veiculadas possuem 30 segundos de duração, cada. Ele alegou que, se forem todas computadas, são 1.283 horas de conteúdos não exibidos.

    “Se essas veiculações fossem em uma única emissora, a gente teria 53 dias de programação ininterrupta. Esse é o tamanho da desigualdade que a campanha do presidente Bolsonaro vem sofrendo neste segundo turno”, declarou.

    “A nossa equipe de operação de mídia vai continuar trabalhando durante a noite nos próximos dias para computar desde o primeiro turno. Desde o primeiro momento do horário eleitoral gratuito, como se comportou, rádio a rádio no Brasil. Independentemente se ela é grande, média ou pequena, independentemente se ela vem de um centro grande e urbano ou de uma região longínqua”, acrescentou.

    Na coletiva em frente ao Palácio da Alvorada, nem Faria nem Wajngarten apresentaram provas ou citaram nomes de rádios que estariam descumprindo a lei eleitoral.

    *Publicado por Daniel Reis