Candidato a vice pelo PT culpa lei eleitoral pela fragmentação da esquerda em SP
Deputado Carlos Zarattini afirma ter aceito convite do ex-presidente Lula e de Jilmar Tatto para compor a chapa do partido na capital paulista

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) foi escolhido nesta quarta-feira (16) para ser o candidato do PT a vice-prefeito de São Paulo, na chapa pura encabeçada por Jilmar Tatto (PT).
A vaga foi deixada em aberto no último domingo (13), quando o PT realizou a sua convenção municipal na capital paulista. A expectativa então era que a candidata a vice fosse uma mulher, nessa que será a primeira eleição que o partido disputa sem aliança com nenhuma outra legenda desde 1985.
A convenção delegou a definição a ser feita pelo diretório municipal, que agora precisa referendar a escolha. Mas a parte mais difícil já passou: Zarattini foi convidado por Tatto e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aceitou a vaga.
Questionado sobre a falta de alianças, o deputado afirmou à CNN que vê a responsabilidade como sendo da nova lei eleitoral, aprovada em 2017, que proibiu a formação de coligações para as vagas de vereador.
Sem a possibilidade de fechar aliança na disputa pelas vagas na Câmara Municipal, avalia Zarattini, os demais partidos de esquerda passaram a buscar candidaturas a prefeito que os impulsionassem e ajudassem na eleição de vereadores.
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"Infelizmente, essa nova lei eleitoral que proíbe a coligação proporcional acaba incentivando os partidos a terem os seus próprios candidatos. É uma questão legal, que tem repercussão política, incentivando PCdoB, PSOL, PSB e PDT a terem caminhos autônomos", argumentou o deputado.
O PSOL já vinha tendo candidaturas próprias em São Paulo desde sua fundação, mas o PSB volta a ter candidato próprio após 14 anos. O PCdoB nunca havia disputado a eleição para prefeito.
O PSB terá como candidato o ex-governador Márcio França, em aliança com o PDT, que indicou o sindicalista Antonio Neto como o candidato a vice-prefeito. Já o PCdoB optou por Orlando Silva, deputado federal e ex-ministro do Esporte, como candidato.
A chapa do PSOL nesta eleição terá o ativista e professor Guilherme Boulos como candidato a prefeito e a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina como candidata a vice. A Rede, da ex-ministra Marina Silva, terá a deputada estadual Marina Helou concorrendo a prefeita e o jornalista Marco Dipreto a vice.
Apesar da fragmentação inédita, Zarattini diz à CNN que espera que os partidos possam se reunir em um eventual segundo turno. "Vamos trabalhar para que esta aliança, se não ocorrer no primeiro turno, possa ocorrer ao menos para o segundo turno", disse o deputado.