Candidatos de esquerda marcam presença na USP e negam uso eleitoreiro de evento em campanha

Apesar de presente no Largo São Francisco, boa parte dos candidatos diz que eventos pró-democracia devem se manter independentes

Tainá Falcão, da CNN
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Candidatos à esquerda marcaram presença no ato pró-democracia na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, nesta quinta-feira (11).

Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (Psol), Márcio França (PSB) e Juliano Medeiros (Psol) estiveram no ato. Embora cortejados por apoiadores, os candidatos de esquerda afastaram a possibilidade de explorar atos como o de hoje em suas respectivas campanhas políticas.

Apesar do caráter independente do ato, gritos de “Fora Bolsonaro” e “Olê Olê Olê Olá, Lula” foram ouvidos no pátio do Largo São Francisco.

O ex-prefeito de São Paulo e candidato petista a governo, Fernando Haddad, disse que o presidente Bolsonaro nem precisaria ser citado e creditou a leitura da carta às ameaças de Bolsonaro à democracia.

“Esse ato só está acontecendo em virtude do fato de que ele não tem nenhum respeito pela Constituição. A Constituição precisa ser defendida porque há uma ameaça à Constituição reiterada por ele todos os dias”, disse.

Também estiveram no evento, o ex-ministro Aloizio Mercadante (PT) e o deputado Márcio Macedo (PT-SE), ambos coordenadores da campanha do ex-presidente Lula.

O deputado bolsonarista coronel Tadeu (PL-SP) chegou com uma camisa bordada com nomes de Bolsonaro, Marcos Pontes e Tarcísio de Freitas. O parlamentar fez críticas ao ato, mas contou que não foi impedido de entrar nem hostilizado.

“Primeira conclusão que eu tiro é que não é pela democracia. Se fosse nós teríamos um verde-amarelo colorindo tudo isso daqui. (…) As camisas são predominantemente vermelhas que simbolizam a esquerda brasileira será que essa democracia está para todos os lados?”, questionou.

Tucano no ninho de esquerda

Embora a maior parte dos políticos presentes fossem ligados à esquerda, o presidente Nacional do PSDB, Bruno Araújo, compareceu ao ato. Ele chegou desacompanho, após o manifesto da Fiesp já ter sido lido. Araújo evitou relacionar Bolsonaro a manifestação de hoje.

“Liberdade e democracia não são monopólios de posição ideológica. Isso une a todos nós. (…) que a gente possa com muita maturidade sobretudo nessas eleições mostrar que a democracia brasileira atingiu grau de maturidade firme pra seguir com que há de mais importante que é cuidar da vida das pessoas”, disse.

Além dele, a deputada Joice Hasselmann (PSDB-SP), que se elegeu no bojo do bolsonarismo e hoje é filiada ao PSDB também assistiu a leitura das cartas.