Candidatura própria não significa criar atrito com Tebet, diz ex-presidente do PSDB

À CNN, José Aníbal afirmou que Tasso Jereissati e Eduardo Leite podem ser alternativas para o partido, após a desistência de João Doria

Ex-senador José Anibal (PSDB-SP) em entrevista à CNN
Ex-senador José Anibal (PSDB-SP) em entrevista à CNN Reprodução/CNN Brasil (24.mai.2022)

Ludmila CandalFelipe Romeroda CNN

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O ex-senador e ex-presidente do PSDB, José Aníbal, defendeu que o partido escolha um novo candidato para disputar as eleições presidenciais, durante entrevista à CNN, nesta terça-feira (24).

Ontem, o ex-governador de São Paulo, João Doria, vencedor das prévias do partido, abandonou a disputa, cedendo à pressão de correligionários. Segundo Aníbal, a desistência não significa que o PSDB vai apoiar a pré-candidata do MDB, Simone Tebet.

“Não significa criar atrito com a Simone Tebet, mas é importante porque temos um processo de construção de uma terceira via que precisa ser intensificado nos próximos dois meses. […] É importante que essa agregação vá além dos partidos, envolva outras forças políticas e sobretudo a sociedade. Não estamos propondo candidatura para disputar com a Simone, mas para ganhar adesão da sociedade, e para mostrar que um caminho alternativo é possível”, explicou.

Para o ex-senador, o momento é de olhar para os problemas reais a que o país está sujeito.

“Uma candidatura do PSDB acrescenta, no sentido de melhorar e intensificar o debate sobre os desafios que o Brasil tem hoje, com pelo menos metade da população brasileira que está em situação de insegurança alimentar”, defendeu.

José Aníbal sugeriu os nomes do ex-senador e ex-governador do Ceará, Tasso Jereissati, e do ex-governador gaúcho, Eduardo Leite, como mais fortes do partido para assumir esse posto.

“O país precisa voltar a crescer, gerar emprego, readquirir credibilidade internacional, criar confiança nos investidores. E vamos fazer ao mostrar uma condição de pacificação e de convergência”, defendeu.

Para Aníbal, é importante romper a polarização que as pesquisas eleitorais apontam entre os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL):

“O importante aqui é criar esperança nos brasileiros, construir uma alternativa que seja percebida como melhor que aquelas que estão aí hoje”, afirmou.

Futuro de Doria

O ex-presidente tucano elogiou a decisão de João Doria de desistir da disputa presidencial.

“Infelizmente nossa escolha nas prévias não foi uma escolha que nos propiciou um aumento da intenção de votos junto aos eleitores, e com uma alta rejeição levou a um questionamento e preocupação dentro do partido”, explicou Aníbal.

Segundo ele, a preocupação com as pesquisas eleitorais teria refletido também entre os candidatos a cargos estaduais e para o Congresso.

“Uma candidatura com baixa adesão e alta rejeição iria certamente prejudicar e penalizar os candidatos a governador, deputados, senadores”, explicou.

Ainda de acordo com Aníbal, o próprio Doria teria percebido isso:

“Ele viajou, conversou, ouviu pessoas e sentiu que o melhor caminho seria abrir o processo de indicação de um novo candidato sem que ele estivesse como candidato do PSDB, um gesto importantíssimo.”

Perguntado se o ex-governador de São Paulo participará da definição de uma nova candidatura e campanha presidencial, Aníbal deixou a decisão a cargo de Doria.

“Essa decisão cabe a ele, ele se emocionou muito com a decisão, mas se colocou á altura do desafio, e agora vai decidir. Certamente não vai ficar distante do processo político e das eleições”, disse Aníbal.

Debate

A CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

Fotos – os pré-candidatos à Presidência

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