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    Carlos Bolsonaro diz que viagem à Rússia foi convite de parlamento do país

    Documento apresentado pelo vereador à Câmara Municipal, comunicando da viagem ao país, foi encaminhado ao STF pelo legislativo carioca; convite é assinado por um dos negociadores de Putin na guerra

    Carlos Bolsonaro e Jair Bolsonaro
    Carlos Bolsonaro e Jair Bolsonaro Alan Santos/PR

    Pauline AlmeidaGabriel Hirabahasida CNN

    No Rio e em Brasília

    Em resposta ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Câmara Municipal do Rio de Janeiro informou que a viagem do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) à Rússia partiu de um convite do parlamentar Leonid Slutsky, presidente do Comitê de Assuntos Internacionais da Assembleia da Federação da Rússia. Slutsky é aliado do presidente russo Vladimir Putin e, hoje, atua como um dos negociadores do cessar-fogo com a Ucrânia.

    A Câmara do Rio informou ao ministro Alexandre de Moraes que sabia da viagem de Carlos Bolsonaro, que integrou a comitiva do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). O vereador entregou à Câmara o convite assinado por Leonid Slutsky para que ele participasse de encontros no país. De acordo com o documento, o convite a Carlos Bolsonaro tinha como “objetivo realizar encontros na Duma Estatal da Assembleia Federal da Federação Russa”.

    Em ofício ao Supremo nessa quinta-feira (10), o presidente do Legislativo carioca, Carlo Caiado (Democratas), anexou o convite e também apresentou a comunicação do vereador Carlos Bolsonaro sobre o compromisso na Rússia.

    “Informo vossa excelência que irei em breve ao Leste Europeu, no que solicito, também com a anuência dos senhores presidentes das Comissões de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática e Turismo desta Casa, Exmos. Senhores vereadores Pedro Duarte e Marcelo Arar, representar as citadas comissões nesta oportunidade. Informo, oportunamente, que as despesas de viagem não acarretarão qualquer ônus para esta Câmara Municipal do Rio de Janeiro”, diz o documento datado de 11 de fevereiro, três dias antes da viagem que começou em 14 de fevereiro.

    Na última semana, o ministro Alexandre de Moraes havia determinado que a Câmara do Rio informasse se Carlos Bolsonaro estava de licença durante a viagem à Rússia. O Supremo Tribunal Federal também cobrou explicações do Palácio do Planalto sobre as condições da participação do vereador na comitiva, além de possíveis gastos e as agendas realizadas.

    Como resposta ao STF, o Legislativo carioca informou que “o Regimento da Câmara Municipal do Rio de Janeiro não exige prévia autorização para realização de viagens internacionais que não configurem missão oficial ou gastos para a Casa”, diz documento assinado pela secretária-geral da Mesa Diretora, Tânia Mara Martinez de Almeida.

     

    O mesmo ofício ainda comunica que Carlos Bolsonaro registrou presença e votou remotamente nas sessões dos dias 15, 16 e 17 de fevereiro. Por conta da pandemia de Covid-19, a Câmara permite a participação pela internet dos parlamentares nas sessões.

    Na última quarta-feira (9), uma resolução da Mesa Diretora passou a determinar que “a presença on-line do vereador dar-se-á preferencialmente com o uso da sua câmera de vídeo aberta”, segundo a publicação no Diário Oficial. Ainda de acordo com a medida, a câmera aberta se tornou obrigatória para o uso da palavra pelos parlamentares, conforme texto assinado pelo presidente da Câmara, vereador Carlo Caiado.

    Vereadores ouvidos pela CNN relataram que a presença de Carlos Bolsonaro em compromissos do pai, no mesmo horário das sessões da Câmara, foi um dos motivos da mudança.

    Na quinta-feira, a CNN entrou em contato com a defesa de Carlos Bolsonaro. O advogado do vereador, Antonio Carlos Fonseca, informou que não falaria sobre o assunto e que as informações solicitadas “certamente serão tempestivamente apresentadas” pela Câmara Municipal. A defesa do vereador também não se manifestou se o filho do presidente recebeu diárias pela viagem e se elas foram custeadas pela Presidência da República.

    Leonid Slutsky

    Leonid Slutsky, um dos 11 negociadores de Vladimir Putin na guerra entre Rússia e Ucrânia, tem 54 anos e lidera a comissão dos assuntos externos do Parlamento Russo (Duma). Ele esteve envolvido em uma polêmica sobre assédio sexual em 2018, quando foi alvo de acusações de quatro jornalistas.

    Duas delas chegaram a prestar depoimentos na comissão de ética do parlamento sobre o alegado assédio sexual, mas Slutsky foi absolvido. Tempos depois, o aliado de Putin fez uma publicação no Facebook em que dizia: “Aproveito esta oportunidade para pedir perdão a todas as mulheres a quem tenha causado más experiências, voluntária ou involuntariamente. Acreditem que não tinha más intenções”. Ele é membro do Partido Liberal Democrata da Rússia.