Cassação: substituto de Jairinho no Conselho de Ética é sorteado relator

Ex-namorada do vereador Dr. Jairinho deve prestar novo depoimento nesta sexta-feira (16)
Ex-namorada do vereador Dr. Jairinho deve prestar novo depoimento nesta sexta-feira (16) Foto: Vitor Brugger - 8.mar.2021/Am Press & Images/Estadão Conteúdo

Pedro Duran, da CNN no Rio de Janeiro

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O vereador Luiz Ramos Filho (PMN) foi sorteado relator do processo de cassação de Jairo Souza Santos Junior, Dr. Jairinho (sem partido). O sorteio foi realizado na sala de reuniões da presidência da Câmara dos Vereadores do Rio, onde tem sido realizadas as reuniões do Conselho de Ética.

O relator terá o papel de fundamentar a perda de mandato de Jairinho. Ele tem até 45 dias pra escrever um documento apresentando os motivos pelos quais o colega de Câmara deve perder o mandato ou não. A expectativa é que essa etapa, no entanto, leve menos de um mês, pois os integrantes do Conselho não veem necessidade de ouvir as mesmas testemunhas cujos depoimentos à polícia já foram entregues para a Câmara.

À CNN, Ramos Filho disse que o primeiro ato será notificar Jairinho do processo no presídio, em Bangu. Ele também afirmou que quer conduzir o relatório de forma “célere”, sem pedir o adiamento do prazo.

Ramos Filho era o primeiro suplente do Conselho de Ética e assumiu o posto com a prisão de Jairinho. Os dois são da mesma região, a zona Oeste do Rio. O relator, de Campo Grande e o alvo do processo, de Bangu. Defensor dos animais, o parlamentar é tido como “ponderado” no parlamento e chegou a ser relator do processo de impeachment do ex-prefeito Marcelo Crivella.

“Vamos fazer um relatório pautado na legalidade, respeitando todos os ritos, o contraditório, a ampla defesa”, disse Ramos Filho em entrevista coletiva após o anúncio do resultado do sorteio.

Antes de realizar o sorteio, o presidente da comissão, Alexandre Isquierdo (DEM), informou a todos que não se colocaria como opção por ser justamente quem conduz o processo. Em papéis foram colocados os nomes dos membros do Conselho de Ética. Além de Isquierdo, participam do colegiado os vereadores Rosa Fernandes (PSC), Rodrigo Amorim (PSL), Chico Alencar (PSOL), Teresa Bergher (Cidadania), Zico (Republicanos) e Luiz Ramos Filho.

O processo que começou no próprio conselho passou pela mesa diretora da Câmara e pela Comissão de Redação e Justiça. Nas 17 páginas assinadas por todos os sete membros da comissão, eles defendem que o trabalho desempenhado na Câmara “repercute de forma inafastável no cotidiano da cidade e depende da confiança dos cidadãos em seus lídimos representantes para a sua legitimidade” e que “o Vereador Jairinho perdeu inteiramente as condições éticas e políticas para integrar esta Casa de Leis”.

Jairo Souza Santos Junior foi indiciado nessa segunda (3/5) pelo homicídio qualificado do menino Henry Borel, de 4 anos. O advogado dele, Braz Sant’Anna diz que vai esperar a denúncia para se manifestar formalmente, mas que a versão que a polícia e o Ministério Público contam é “mentirosa”. Em mensagem enviada a parlamentares em março, pouco depois da morte do menino, Jairinho chama as acusações contra ele de “loucura sem tamanho”.

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