CCJ do Senado adia votar PEC que dá autonomia financeira ao Banco Central

Proposta pode retornar à pauta da Comissão de Constituição e Justiça na próxima semana; governo atua para adiar votação

Emilly Behnke, da CNN Brasil, Brasília
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A CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado adiou nesta quarta-feira (20) a análise da proposta que garante autonomia financeira para o BC (Banco Central). A expectativa é que o texto retorne à pauta do colegiado na próxima semana.

Após a apresentação de uma nova versão do parecer do senador Plínio Valério (PSDB-AM) na terça-feira, a proposta teve pedido de vista (mais tempo para análise) solicitado pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA).

Na prática a proposta amplia a autonomia do BC, aprovada em 2021 pelo Congresso, ao garantir à instituição o controle do seu próprio orçamento e o custeio por receitas próprias.

Como a CNN Brasil mostrou, o Ministério da Fazenda trabalha junto com a liderança do governo no Senado para adiar a votação da PEC. O Executivo defende que a proposta seja analisada após as eleições.

Apresentada em 2023, a Proposta de Emenda à Constituição é alvo de impasse entre senadores e enfrentou resistência do governo. A PEC foi apresentada pelo senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) e altera o regime jurídico do BC.

Na reunião da CCJ, ao defender a aprovação da PEC, Vanderlan afirmou que o Banco Central está "colapsando".

A última versão do parecer de Plínio Valério define o BC como uma "entidade pública de natureza especial com autonomia técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira, integrante do setor público financeiro".

O texto estabelece que a instituição é "dotada de poder de polícia, incluindo poderes de regulação, supervisão e resolução". Também reforça que o BC não tem vinculação a ministério ou qualquer órgão ou sistema da administração pública.

Em relação à questão orçamentária, a PEC determina que o orçamento será aprovado e executado por ato próprio do Banco Central, com apreciação prévia do Conselho Monetário Nacional, e posterior deliberação em comissão temática pertinente do Senado.

"O Senado tem sempre a palavra final", declarou Plínio. O senador já apresentou 11 versões do seu parecer. O controle orçamentário é o principal ponto questionado pelo governo.

Atualmente, os recursos do BC têm origem em duas fontes principais: o Orçamento da União e a peça orçamentária que detalha todas as receitas e as despesas do Banco Central relacionadas às operações típicas de autoridade monetária.

O relator também incluiu trecho na PEC que reforça como competência exclusiva do BC a regulação e operação do Pix. A intenção é garantir a gratuidade do uso por pessoa física e a segurança da ferramenta para prevenção e combate a fraudes.

Na terça-feira (19), em audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou ser “essencial” a autonomia financeira e a garantia de recursos para a autoridade monetária.

Segundo ele, sem um orçamento próprio a instituição poderá precisar fazer uma "gestão de riscos" e definir prioridades de onde atuar.

“Gradativamente a gente vai ter que fazer um estudo de apetite de risco declarado, onde a gente fala: certas coisas a gente não vai conseguir fiscalizar como se deveria, porque não há recurso, nem humano, nem capital para poder fazer”, disse Galípolo.