Celina Leão tenta blindar GDF após prisão de ex-BRB: "Cada um tem um CPF"
Paulo Henrique Costa foi alvo de operação da PF nesta quinta e é suspeito de receber R$ 140 milhões de Vorcaro como propina para viabilizar a compra do Master

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), negou nesta quinta-feira (16) que a prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa vá respingar em sua gestão. Segundo ela, "o governo é uma instituição, cada um tem um CPF".
“A gente tem tranquilidade. A nova gestão tem colaborado com todas as investigações e a gente acredita na Justiça. Aquelas pessoas que fizeram algo de errado vão ter que realmente pagar", disse a jornalistas durante agenda em Brasília.
A declaração da governadora ocorreu horas depois da prisão, deflagrada pela PF (Polícia Federal) em uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, e crimes financeiros ligados ao Banco Master.
Durante sua agenda pelo Distrito Federal nesta quinta (16), Celina destacou que é necessário "separar" o banco da gestão. "O BRB é um banco sólido, é um banco que vai sair desse tipo de dificuldade", declarou.
Paulo Henrique foi afastado do cargo em novembro de 2025, durante a primeira fase da operação. Na época, o BC (Banco Central) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após ter rejeitado a venda da instituição para o BRB, por avaliar riscos excessivos na operação.
O governo do Distrito Federal é acionista majoritário do BRB, o que amplia a repercussão do caso e pressiona autoridades locais a defenderem a imagem da instituição.
O ex-presidente é suspeito de receber R$ 140 milhões de Vorcaro como propina para viabilizar a compra do Master, e também coordenar uma pressão interna para que acionistas comprassem ações usando verbas vindas do próprio Banco Master.
De acordo com apuração da CNN Brasil, o ex-presidente do banco ainda teria ignorado recomendações internas de governança e aprovado a compra de ativos podres do Master, na casa dos R$ 12 bilhões, mesmo sabendo que se tratavam de carteiras fraudulentas.
A operação desta quinta cumpre dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão, em São Paulo e no Distrito Federal.
Essa etapa apura um esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos. Estão sendo investigados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
Gestão de ex-presidente do BRB
À imprensa, Celina disse ainda que, mesmo ainda no cargo de vice-governadora, já achava a gestão de Paulo Henrique no BRB "muito longe da necessidade de da população do Distrito Federal" e ligada a "outros fatores".
Ela citou o exemplo de quando o banco negociou um contrato para ajudar a promover um torneio de vela em Dubais, nos Emirados Árabes.
"Eu tinha muitas críticas ao Paulo. Eu fiz uma reunião pública com o setor produtivo três, quatro meses antes da operação. Eu já falava que eu iria trocá-lo do meu governo, que ele não ficaria", afirmou a governadora.
Segundo Celina, a sua percepção era de que ele não se "adequava" à equipe que ela gostaria de montar quando o então governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) deixasse o cargo e ela assumisse o posto.
A CNN Brasil entrou em contato com o BRB para se manifestar e aguarda retorno.


