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    CGU pede ao STF acesso à delação de Mauro Cid, ex-ajudante de Bolsonaro

    Órgão também solicitou compartilhamento de dados de mensagens de WhatsApp do militar com ex-assessores do ex-presidente

    Lucas Mendesda CNN

    Brasília

    A Controladoria-Geral da União (CGU) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o acesso a dados de conversas de WhatsApp do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), e aos depoimentos prestados pelo militar no seu acordo de delação premiada.

    O órgão quer analisar informações obtidas nas investigações sobre fraude em cartão de vacina do ex-presidente e sobre a suposta entrada irregular de joias da Arábia Saudita no Brasil. O objetivo é apurar o possível envolvimento de funcionários públicos federais nos dois episódios.

    O pedido é assinado pelo ministro Vinicius Marques de Carvalho, da CGU. Foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, que é relator das investigações no Supremo.

    A delação de Cid está em sigilo. Conforme mostrou a CNN, o depoimento do militar consta em 50 páginas e é separado em seis anexos, com os seguintes assuntos: plano de golpe, 8 de janeiro, joias sauditas, gabinete do ódio e falsificação de carteiras de vacinação.

    A Polícia Federal segue em diligências solicitadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para corroborar o que foi narrado por Mauro Cid em três dias de depoimentos, no fim de agosto. Moraes homologou a delação em 9 de setembro.

    Sobre as conversas de WhatsApp, a CGU pediu os registros dos diálogos mantidos por Cid com ex-integrantes do governo e ex-assessores de Bolsonaro. Dentre eles, o ex-ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

    Segundo Vinicius de Carvalho, o compartilhamento dos dados é “fundamental” para a “adoção das providências cabíveis para a promoção da responsabilização administrativa dos agentes públicos federais envolvidos”.

    “Necessitamos, ainda, dos depoimentos prestados pelo Tenente-Coronel Mauro César Barbosa Cid em sede do acordo de colaboração premiada homologado no último dia 9 de setembro, bem como dos elementos entregues pelo colaborador que tenham relação com as joias recebidas na Arábia Saudita por comitiva oficial e com as fraudes no cartão de vacinação do ex-Presidente Jair Bolsonaro, além de outros fatos irregulares porventura reportados que tenham envolvimento de servidores e ex-servidores públicos federais e possam desencadear novas apurações no âmbito desta Controladoria”, disse Vinicius Marques de Carvalho, no pedido.

    A CGU quer acesso às mensagens trocadas por Cid com:

    • Júlio Cesar Vieira Gomes (ex-Secretário da Receita Federal);
    • Bento Albuquerque Júnior (ex-ministro de Minas e Energia);
    • José Roberto Bueno Junior (ex-chefe de Gabinete do Ministério de Minas e Energia);
    • Christian Vargas (ex-Chefe da Assessoria Especial de Relações Internacionais do MME);
    • Marcelo da Silva Vieira (ex-chefe do Gabinete Adjunto de Documentação Histórica da Presidência);
    • Marcelo Costa Câmara (assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro);
    • Sergio Rocha Cordeiro (assessor especial do ex-presidente Jair Bolsonaro);
    • Marcelo Costa Câmara (assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro);
    • Max Guilherme Machado de Moura (assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro);
    • Luis Marcos dos Reis (ex-servidor comissionado no Ministério do Turismo);
    • Eduardo Crespo Alves (militar da ativa).

    Parte dos nomes foi alvo de operações da Polícia Federal (PF) nas investigações que tramitam no STF. Os casos miram Bolsonaro, aliados e ex-assessores.

    No caso das joias, Moraes já disse que há indícios de desvio de bens de “alto valor” entregues por autoridades estrangeiras a Bolsonaro ou agentes a seu serviço.

    Uma comitiva do governo que retornava da Arábia Saudita em 2021 teve um estojo com joias retido por servidores da Receita no aeroporto de Guarulhos.

    Já a investigação sobre suposta fraude em cartões de vacina foi a que levou à prisão de Cid, em maio. Na delação, Cid afirmou que os documentos fraudados foram impressos e entregues em mãos ao ex-presidente para que ele usasse quando “achasse conveniente” ou “se precisasse”. E reforçou que “cumpriu ordens” de Bolsonaro.

    Disse também que os dados falsos de Bolsonaro e da filha do político, de 12 anos, foram inseridos no sistema do Ministério da Saúde por servidores da prefeitura de Duque de Caxias (RJ), no dia 21 de dezembro de 2022, nove dias antes do ex-presidente viajar para os Estados Unidos.

    A defesa de Jair Bolsonaro já negou as acusações contra o ex-presidente em manifestações anteriores. Os advogados também contestam a competência do STF para a tramitação dos casos.

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