Chapa Lula-Alckmin não altera chance de voto em petista, diz pesquisa Genial/Quaest

Aliança apresenta maior potencial de atrair votos da 3ª via em SP do que no resto do país

Iuri Pittada CNN

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Uma eventual aliança entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (ex-PSDB) para a disputa pelo Palácio do Planalto apresenta efeito mais simbólico do que quantitativo e não aumenta nem diminui as chances de apoio ao petista, mas teria maior potencial de atrair votos da chamada terceira via no principal eleitorado do país, conforme dados da pesquisa Genial/Quaest divulgada na manhã desta quarta-feira (12).

A chapa passou a ser cogitada como aceno de Lula ao centro e recolocou Alckmin no debate político nacional, após o desempenho abaixo do esperado na eleição presidencial de 2018.

O levantamento mostra empate numérico entre aqueles que dizem aumentar ou diminuir a chance de votar em Lula, se Alckmin for candidato a vice-presidente: 10% cada resposta.

Dois terços dos entrevistados (67%) dizem que a hipótese não muda a possibilidade de escolher o petista e 9% afirmam que não votariam no ex-presidente “de jeito nenhum” – 3% não souberam ou não responderam à pergunta.

Apenas entre os que têm avaliação positiva do governo Jair Bolsonaro (PL) há prevalência da redução de chance de voto em Lula além da margem de erro de 2 pontos percentuais, com 5% de aumento e 12% de diminuição dessa hipótese.

Quando se divide os eleitores pela preferência de vitória em outubro (Bolsonaro, Lula ou nenhum dos dois), novamente se repete o saldo negativo para o petista no último segmento, que soma 26% dos respondentes e representa o eleitorado potencial da terceira via.

Entre os chamados “nem-nem”, 5% disseram aumentar a chance de voto em Lula com Alckmin como vice, 13% afirmaram diminuir e 71% são indiferentes à aliança.

Entretanto, esse saldo negativo de 8 pontos percentuais muda para 3 pontos positivos em São Paulo, estado natal de Alckmin e onde Lula fez trajetória sindical e política.

Entre os paulistas “nem-nem”, 10% afirmam aumentar a chance de voto no petista e 7% dizem diminuir, dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais nesse segmento.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), São Paulo tem 32 milhões de eleitores, ou quase 22% dos 146,8 milhões de brasileiros registrados até dezembro de 2021.

“Se Alckmin não muda voto em Lula no Brasil, parece ser decisivo no maior colégio eleitoral do país”, avalia o diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria, Felipe Nunes. “Alckmin pode ser a Carta ao Povo Brasileiro de 2022, mostrando o que governo Lula pretende fazer”, complementa, em alusão ao documento no qual, em 2002, o então candidato petista se comprometia com o “respeito a contratos e obrigações do país” e no qual definia a estabilidade e o controle das contas públicas e da inflação como “patrimônio de todos os brasileiros”.

A pesquisa Genial/Quaest é a primeira divulgada em 2022 e foi registrada no TSE sob o protocolo nº BR-00075/2022. Foram entrevistados face a face 2 mil eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 6 e 9 de janeiro.

A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95% (se 100 pesquisas fossem realizadas, 95 apresentariam os mesmos resultados dentro da margem de erro).

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