Cid volta a afirmar que Braga Netto entregou dinheiro para manifestantes

General disse que jamais entregou dinheiro para o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro

Leticia Martins, da CNN, São Paulo
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O tenente-coronel Mauro Cid afirmou, durante acareação no STF (Supremo Tribunal Federal) nesta terça-feira (24), que o ex-ministro Walter Braga Netto entregou dinheiro para bancar manifestantes após o PL (Partido Liberal) se negar a bancar o valor.

"O réu colaborador reafirma que o réu Braga Netto lhe disse que tentaria obter essa quantia de outro modo em que, posteriormente, teria entregue determinada quantia em dinheiro dentro de uma sacola de vinhos no Palácio do Alvorada", diz o trecho que consta no document disponibilizado pelo STF.

Braga Netto, por sua vez, "reafirma que, após a negativa do tesoureiro do PL não tratou mais desse assunto e que jamais entregou qualquer quantia em dinheiro para o réu colaborador".

Anteriormente, em audiência no Supremo Tribunal Federal, Cid já tinha tratado do tema.

O general Braga Netto me orientou a perguntar se o partido poderia custear isso aí. Aí eu fui conversar com coronel lá que era responsável pelo partido, o... eu não me recordo o nome dele. Inclusive, ele viu o documento. Eu imprimi o documento e mostrei para ele o documento. Esse documento, o inicial, que tinha só as relações. Aí ele falou que ele não poderia... o partido não podia trazer manifestantes ou apoiar com esse tipo de material. Aí eu voltei no general Braga Netto e ele falou: "Vou dar um jeito, vou tentar conseguir por outros caminhos
Mauro Cid

"Aí eu não me recordo a data, mas talvez uma ou duas semanas depois, o general Braga Netto me entrega dinheiro. Acho que foi... eu não me engano, mas eu creio
que foi quando o De Oliveira esteve no Alvorada. Ele me entregou um... era tipo uma coisinha de vinho assim, de presente de vinho, com dinheiro. Eu não contei, não
sei quanto, tava grampeado e aí o De Oliveira veio buscar o dinheiro. Então, eu peguei o dinheiro e passei para o De Oliveira", prosseguiu.

Durante a acareação, Cid afirmou que a sacola de vinho estava lacrada e que não chegou “a ver o dinheiro”. Ele alegou ainda que estimou o valor aproximado pelo peso da sacola, mas que em nenhum momento a abriu.

Acareação

Nesta manhã, ocorreu uma acareação com os réus Mauro Cid e Walter Souza Braga Netto na presença do ministro Alexandre de Moraes e Luiz Fux, ambos do STF, com o objetivo de esclarecer versões contraditórias em depoimentos no âmbito da ação que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado.

Na acareação, as partes envolvidas apresentam suas versões frente a frente. O procedimento foi realizado a portas fechadas na sala de audiências da Suprema Corte.