Citado em três depoimentos, ex-assessor da Saúde fala à CPI nesta quarta (4)

Tenente-coronel da reserva, Marcelo Branco teria participado de jantar em que suposta propina de US$ 1 foi pedida

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo

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A CPI da Pandemia ouve a partir das 9h desta quarta-feira (4) o ex-assessor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Marcelo Blanco.

Exonerado da pasta em janeiro, o tenente-coronel da reserva teria participado de um jantar ocorrido em um restaurante localizado dentro de um shopping de Brasília. Foi nesse encontro que a proposta de pagamento de propina na comercialização de doses da vacina AstraZeneca teria sido feita.

O militar foi citado ainda em alguns depoimentos prestados à CPI durante as onze primeiras semanas de trabalho da comissão e na oitiva desta terça-feira (3).

A convocação do ex-assessor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde foi solicitada pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). No pedido, o parlamentar quer esclarecer “a notícia veiculada pelo jornal Folha de S. Paulo de que o governo Bolsonaro teria pedido propina de um dólar por dose de vacina por meio do diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias”.

No dia 1º de julho, o cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominghetti confirmou durante depoimento à CPI que recebeu pedido de propina de US$ 1 por dose de Roberto Dias em troca de assinar um contrato de venda de vacinas AstraZeneca com o Ministério da Saúde.

Em depoimento seis dias mais tarde, Roberto Dias — que chegou a ser preso por mentir à CPI — afirmou, inicialmente, que seu encontro com Dominguetti e Blanco no restaurante em Brasília foi casual, mas depois assumiu — a partir de áudios exibidos na comissão — que o coronel sabia que ele estaria no local.

Já no depoimento prestado em 15 de julho, o representante da Davati Medical Supply no Brasil, Cristiano Carvalho afirmou que Dominghetti usou o termo “comissionamento” quando se referiu à reunião onde teria sido feito o pedido de propina.

“A informação que veio a mim não foi ‘propina’. Ele [Dominghetti] usou “comissionamento”. Se referiu ao comissionamento sendo do grupo do tenente-coronel Marcelo Blanco [ex-assessor de Dias] e da pessoa que o tinha apresentado a Blanco, de nome Odilon”, contou Carvalho aos senadores.

No dia seguinte ao encontro no restaurante em Brasília, Dias e Dominguetti tiveram uma nova reuião, mas dessa vez no Ministério da Saúde.

Senadores como Alessandro Vieira, Eduardo Braga (MDB-AM), Eliziane Gama (Cidadania-MA), Fabiano Contarato (Rede-ES), Humberto Costa (PT-PE) e Rogério Carvalho (PT-SE), manifestaram perplexidade com o relato dos depoentes, assim como estranharam o intervalo de menos de 24 horas entre o encontro no restaurante e a reunião no ministério.

Por conta disso, os parlamentares aprovaram requisições ao Comando do Exército Brasileiro de todos os relatórios e informações de inteligência, com as correspondentes cópias, a respeito do tenente-coronel Blanco, assim como de Antônio Élcio Franco, Alexandre Martinelli Cerqueira e Eduardo Pazuello.

Com informações da Agência Senado*

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