CNJ afasta desembargador que associou Lula ao Comando Vermelho

Marcelo Lima Buhatem, do TJ-RJ, ficará afastado por 60 dias por publicações de cunho político-partidário, quebra de imparcialidade e outras infrações disciplinares

Patrícia Nadir, da CNN, Brasília
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O plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou por 60 dias o desembargador Marcelo Lima Buhatem, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por publicações de cunho político-partidário nas redes sociais.

Segundo o CNJ, o desembargador publicou, em março de 2023, mensagens em seu perfil no LinkedIn que questionavam a credibilidade dos sistemas judicial e eleitoral brasileiros. Para o órgão, as postagens “fomentaram a desconfiança social na justiça, segurança e transparência das eleições”.

As infrações foram relatadas pelo conselheiro Alexandre Teixeira, que votou pela pena de disponibilidade por 90 dias. A maioria do plenário, no entanto, seguiu o voto divergente do conselheiro Caputo Bastos e fixou o afastamento em 60 dias.

Além das publicações, Buhatem também respondeu por suposta quebra de imparcialidade, paralisação de processos em seu gabinete e ausência de declaração de suspeição em relação a uma advogada com atuação no TJ-RJ, com quem teria vínculo de parentesco.

Associação de Lula ao Comando Vermelho

Em 2023, o então corregedor nacional de Justiça, Luis Felipe Salomão, determinou uma fiscalização no gabinete de Buhatem por publicações críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e favoráveis ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com o CNJ, antes do segundo turno das eleições de 2022, o desembargador teria compartilhado fake news sobre Lula ao associá-lo ao Comando Vermelho, em referência à visita feita pelo petista ao Complexo do Alemão.

A CNN perguntou ao TJ-RJ se o desembargador Marcelo Lima Buhatem gostaria de se manifestar, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.