CNJ mantém afastamento de desembargador suspeito de vender sentenças

João Ferreira Filho, do TJMT, é alvo de processo disciplinar e troca de mensagens com advogado assassinado

Davi Vittorazzi, da CNN, Brasília
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O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) decidiu manter o afastamento cautelar do desembargador João Ferreira Filho, do TJMT (Tribunal de Justiça de Mato Grosso), investigado por envolvimento em esquema de venda de sentenças.

A decisão foi tomada nesta terça-feira (5), durante sessão plenária que também instaurou um processo administrativo disciplinar (PAD) contra o magistrado.

Ferreira Filho está afastado desde agosto de 2024. Segundo o relator do caso, ministro Campbell Marques, há indícios de que o desembargador recebeu vantagens indevidas em troca de decisões judiciais, com apoio do advogado Roberto Zampieri — assassinado em Cuiabá em 2023 — e de outras pessoas.

A defesa do magistrado nega qualquer irregularidade. “Não há indicativo de atuação indevida por parte do desembargador”, afirmou à CNN.

O relator rejeitou a alegação de ilegalidade na obtenção de provas do celular de Zampieri, destacando que o acesso foi autorizado pela família. As investigações apontam troca de mensagens entre o desembargador e o advogado fora dos canais oficiais do tribunal.

Além dos diálogos comprometedores, foram identificados gastos incompatíveis com a renda declarada, como uso elevado de cartão de crédito, compra de imóveis acima do valor informado no imposto de renda e bens não declarados, supostamente adquiridos por meio da esposa e da filha do magistrado.