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    Com caso Vini Jr. em pauta, Brasil e Espanha assinam acordo para combate ao racismo

    Medida envolve série de ações, mas tem foco na luta contra a discriminação racial no esporte

    Leandro Resende

    Brasil e Espanha celebraram, nesta terça-feira (9), um acordo de combate ao racismo, à xenofobia e outras formas de discriminação, em articulação liderada pela ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e pela ministra da Igualdade espanhola, Irene Montero.

    O acordo envolve uma série de ações, mas tem foco especial na luta contra o racismo no esporte, sobretudo após as seguidas manifestações discriminatórias direcionadas a atletas de clubes europeus, especialmente a Vinícius Júnior, atacante brasileiro do Real Madrid.

    Uma campanha sobre o tema direcionada ao esporte também está sendo elaborada pelo governo federal.

    À CNN, Anielle Franco afirmou que conversou com a ministra espanhola e com uma das vice-presidentes do País sobre os constantes ataques a Vinicius Júnior. Segundo ela, o acordo celebrado entre as nações é um passo para tentar avançar rumo à solução de um problema que afeta ele e outros atletas.

    “Pedi apoio da ministra porque é perceptível, na Espanha, que eles têm a dimensão do problema, mas não tem uma estratégia que impeça ele e outros de sofrerem isso. Quando vai para a Justiça Desportiva, pensam que é algo menor. Os ataques a ele mostram como o racismo é algo que assola pessoas negras mesmo as que ascenderam muito, como o caso do Vini Jr.”, afirmou Anielle Franco.

    A ministra retomou o plano de superação étnico-racial traçado por Brasil e Estados Unidos em 2008 e, agora, aliou-se à Espanha em um acordo que envolve a produção de novos dados, o reconhecimento da subnotificação de casos de discriminação e assistência jurídica gratuita às vítimas de racismo.

    No Brasil, Anielle Franco adiantou à CNN que será lançado, em breve, um plano para combate ao racismo no esporte. Será uma parceria com o Ministério do Esporte, comandado pela ministra Ana Moser.

    “Será uma campanha de combate ao racismo no esporte, não só no futebol. A gente tem discriminação no vôlei, no basquete, em vários esportes. Os atletas precisam se sentir à vontade de participar, e tem que ter uma dimensão de letramento das torcidas”, explicou a ministra.

    O acordo também inclui ações para combater violência política de gênero e de etnia nos dois países. Brasil e Espanha deverão compartilhar boas práticas na luta contra a violência política, entendida como violação de direitos humanos.

    Para Anielle Franco, os dois países tem similaridades políticas, diante da necessidade de lidar com o crescimento de ideais de extrema-direita.

    Nos próximos três meses, uma comissão de acompanhamento do acordo será designada e irá coordenar as atividades em conjunto pelos países. O termo tem validade de quatro anos, podendo ser renovado pelo mesmo período.