Com pandemia, poluição no rio Tietê reduz 8% em 2020, diz SOS Mata Atlântica

Além da melhora, pela primeira vez a mancha de poluição ficou dividida em dois trechos, diferente das manchas anteriores que eram contínuas

Talis Mauricio, da CNN, em São Paulo

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A mancha de poluição do rio Tietê, o maior e um dos mais importantes cursos d’água do estado de São Paulo, apresentou uma melhora de 8% em 2020. O trecho com qualidade ruim, imprópria para uso e inadequada para a vida aquática está, agora, em 150 quilômetros, ante 163 quilômetros em 2019. 

Além da melhora, pela primeira vez a mancha de poluição ficou dividida em dois trechos, diferente das manchas anteriores que eram contínuas. Os 150 quilômetros atuais de poluição equivalem a 13% do rio, que tem 1.100 quilômetros, da nascente em Salesópolis, no interior de São Paulo, até a foz, no Paraná. 

Os dados foram divulgados pela Fundação SOS Mata Atlântica, que comemora nesta terça-feira (22) o Dia do Tietê. Os pontos analisados estão distribuídos nas bacias hidrográficas do Alto Tietê, Médio Tietê, Sorocaba e Piracicaba, Capivari e Jundiaí, que abrangem 102 municípios das regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Sorocaba. 

Entre os motivos para a melhora na poluição do Tietê, Malu Ribeiro, gerente da Fundação SOS Mata Atlântica, destaca as obras de saneamento em geral realizadas nos municípios e o comportamento da sociedade em meio à pandemia da Covid-19, principalmente com a diminuição do lixo nas ruas e da fuligem de veículos que circulam pelas vias das cidades.

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“Desde 2010 nunca tivemos qualidade de água boa nos reservatórios do Tietê no período de estiagem. Os indicadores das séries históricas ficavam na condição regular ou ruim, por conta da grande concentração de nutrientes e da proliferação de algas e plantas aquáticas. Se não fosse a abertura de barragens, em fevereiro e agosto deste ano, não teríamos qualidade ruim entre Porto Feliz e Laranjal. Ou seja, a mancha seria bem menor“, afirma Malu.

Malu aponta, no entanto, que a distância de 150 quilômetros registrada neste ano é mais que o dobro da marca histórica aferida em 2014, quando a mancha de poluição do Tietê estava em 71 quilômetros. 

Importante destacar também que, em virtude da pandemia, um trecho de 44 quilômetros não foi analisado pelos pesquisadores neste ano.

O trecho é compreendido entre os municípios de São Paulo e Barueri e costuma ser bastante poluído, apresentando pouca variação na condição de qualidade da água nas séries históricas de monitoramento. Se fosse considerado com qualidade de água ruim, a mancha do rio Tietê a ser constatada neste ano seria de 194 quilômetros, 19% maior em comparação a 2019. 

O governo de São Paulo, administrado por João Doria (PSDB), promete despoluir os rios Tietê e Pinheiros, respectivamente, até 2030 e 2022. Desde 1992, somando os investimentos do projeto Tietê e, agora, os recursos previstos para o Pinheiros, são ao menos R$ 13 bilhões alocados em programas de despoluição dos dois rios.

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