"Como se glória houvesse na traição", diz Moraes sobre Eduardo nos EUA

Para o ministro, há uma organização criminosa “covarde e traiçoeira” que atua contra o país

Leticia Martins e Davi Vittorazzi, da CNN, São Paulo e Brasília
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O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes criticou, nesta sexta-feira (1º), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde março para "articulação política" com o governo americano. Segundo o magistrado, o parlamentar traiu a pátria ao se vangloriar de negociar as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

"Traição à pátria [...] Como se glória houvesse na traição, assumindo a autoria de verdadeira intermediação com o governo estrangeiro para imposição de medidas econômicas contra o próprio país, resultando na taxação de 50%", disse o ministro na Suprema Corte, durante a retomada dos trabalhos do segundo semestre.

"Agressões espúrias e ilegais contra autoridades brasileiras, tem por finalidade uma grave crise econômica no Brasil, que para desgosto desses brasileiros não ocorrerá", acrescentou.

No dia em que os Estados Unidos anunciaram a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes e oficializaram o tarifaço de 50%, Eduardo Bolsonaro comemorou as medidas do governo norte-americano.

“As sanções deixam claro que o objetivo dessas medidas não é comercial, mas sim político e jurídico”, afirmou o parlamentar.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda declarou ser graças ao trabalho dele e de parte da oposição que setores considerados estratégicos foram poupados do tarifaço.

“Enquanto muitos optavam por negociações atrapalhadas, trabalhamos diretamente para que as medidas fossem direcionadas, atingindo o alvo correto e poupando setores estratégicos - como fertilizantes, energia, aviação, madeira, suco de laranja e outros produtos do agronegócio - das tarifas comerciais”, afirmou.

Durante discurso nesta manhã, Moraes afirmou ainda que há uma organização criminosa “covarde e traiçoeira” que atua contra o país.

"Temos visto as ações de diversos brasileiros que estão sendo processados pela PGR ou investigados pela PF. Estamos verificando diversas condutas dolosas e conscientes de uma verdadeira organização criminosa que, de forma jamais vista, age de maneira covarde e traiçoeira para submeter o funcionamento do STF ao crivo de um Estado estrangeiro. Pseudopatriotas encontram-se foragidos e escondidos fora do território nacional", afirmou.