Compra de joias liga amiga de Lulinha a ex-assessor de Lula; entenda

Mensagens foram encontradas em celular de Roberta Luchsinger com Marco Aurélio Ribeiro, então chefe de gabinete do presidente

Rafael Sotero, colaboração para a CNN Brasil, Elijonas Maia, da CNN Brasil, São Paulo e Brasília
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PF (Polícia Federal) encontrou mensagens no celular da empresária Roberta Luchsinger, a amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, uma suposta intermediação para comprar joias ao então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

Roberta Luchsinger é investigada por suspeitas de tráfico de influência e de usar a proximidade com o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o acesso ao governo. Ela trabalhou com Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e é suspeita de fazer meio de campo de pagamento para Lulinha.

A investigação decorre da operação que apura fraudes no INSS, da qual Roberta foi alvo e teve o celular apreendido. As mensagens foram reveladas pelo site Metrópoles na última segunda-feira (17) e confirmadas pela CNN. A partir dessas mensagens, a PF pediu e o STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou novo inquérito que apura possível tráfico de influência de um grupo no governo federal.

No celular, também foram encontradas "fotos de joias compradas de presente", segundo a PF. A defesa de Marcola confirmou que Roberta Luchsinger comprou para ele duas joias avaliadas em R$ 9,2 mil.

A lobista teria enviado a foto de um colar e de um par de solitários de diamante. Advogados de Marcola alegam que a compra das joias faz parte de um empréstimo posteriormente pago por ele.

Ainda sobre a relação entre Roberta e Marcola, a CNN apurou que a PF também investiga se a lobista realizou pagamentos com códigos de barras para Marcola, enquanto ele atuava como chefe de gabinete da Presidência. Ele ficou no cargo durante todo o atual governo do petista e deixou o posto no dia 21 de julho deste ano.

Em uma troca de mensagens com Roberta, em 22 de março de 2024, Lulinha menciona que participa de reuniões com Marcola e o então secretário-executivo do Ministério da SaúdeSwedenberger Barbosa, conhecido como Berger.

A PF apura se Lulinha teria atuado junto ao Ministério da Saúde em negociações ligadas ao processo de autorização para comercialização de produtos à base de cannabis. Ele nega irregularidades em sua atuação.

A defesa de Roberta disse à CNN que os autos estão sob sigilo, e vão respeitá-lo. O advogado que representa Lulinha declarou que não há como confirmar a veracidade de mensagens, que há um vazamento criminoso e fora de contexto. Marcola já disse em ocasiões anteriores que pegou empréstimo com Roberta e quitou dívidas pessoais, rechaçando qualquer crime.