Congresso inaugura exposição sobre bebês que sobreviveram ao Holocausto

Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso Nacional, afirma que a mostra reflete o compromisso da Legislativo na luta contra o antissemitismo

Emilly Behnke, da CNN Brasil, Brasília
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O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), inaugurou nesta terça-feira (3) a exposição “Eles nos deram esperança de novo gravidez e nascimento no subcampo Kaugering 1' Dachau”. A mostra retrata a história de sete bebês que nasceram no campo de concentração alemão e sobreviveram.

"Essa exposição reflete o compromisso do Congresso Nacional com a preservação da memória e com a luta incessante contra o antissemitismo, que ela alcance os corações e as mentes de todos e todas que a visitarem", afirmou Alcolumbre no evento.

Ao defender a necessidade e o dever moral de recordar a história, Alcolumbre mencionou ser o primeiro judeu a presidir o Congresso Nacional. "Tentaram nos apagar da história, não conseguiram. A esperança, mais uma vez, mostrou-se mais forte do que o ódio. A exposição que hoje inauguramos é um testemunho desta força", disse.

A inauguração contou com a presença de George Legmann, sobrevivente do Holocausto e uma das sete crianças nascidas no campo de concentração de Dachau, no sul da Alemanha, no final da Segunda Guerra Mundial, em 1944.

"Estou aqui hoje como um sobrevivente, mas acima de tudo como um testemunho vivo de um ato de resistência que desafiou a lógica da morte", afirmou em discurso.

A mostra está em exibição no Salão Negro, no Congresso Nacional, e estará aberta para visitação até 30 de março deste ano. A exposição, produzida pelo governo alemão, retrata a história dos bebês sobreviventes por meio de documentos, registros históricos e relatos.

Um dos idealizadores da iniciativa, George Legmann, de 81 anos, vive no Brasil desde 1961. Judeu nascido em 8 de dezembro de 1944, ele é o mais velho dos sete bebês. Ao citar discursos que relativizam a barbárie e atacam instituições, Legmann afirmou que “quando o respeito entre os povos e a ética social são deixados de lado, a história se repete”.

“O Brasil é minha pátria. Fomos recebidos de braços abertos por uma nação que acredita no acolhimento e é por amar esse país que deixo um alerta aos parlamentares: a democracia é a única ferramenta de prevenção. O que aconteceu em diversos campos de concentração, assim como Auschwitz e Dachau por onde passamos, não foi um surto animal, foi uma construção política de desumanização”, declarou.

Participaram do evento nesta tarde senadores e representantes de embaixadas. Presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Israel, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) também defendeu que o Legislativo permaneça "vigilante" para ameaças à liberdade.

"Nós do Parlamento brasileiro temos que ser vigilantes a todo momento, em qualquer instante em que surjam movimentos que queiram acabar com a liberdade religiosa ou mudar uma história, como a história do povo judeu", disse o senador.