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    Eleições 2022

    Conselho de Ética da Alesp irá apurar denúncias contra Douglas Garcia após ofensas a jornalista

    Presidente do conselho, Maria Lucia Amary, se manifestou sobre o caso e repudiou o comportamento do deputado

    Deputado estadual Douglas Garcia (Republicanos)
    Deputado estadual Douglas Garcia (Republicanos) Assembleia Legislativa de São Paulo - 13.mar.2020

    Matheus MeirellesCarolina FigueiredoGiulia AlecrimTiago Tortellada CNN

    em São Paulo

    O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) informou nesta quarta-feira (14) que irá apurar denúncias contra o deputado Douglas Garcia (Republicanos), que ofendeu a jornalista Vera Magalhães após um debate para as eleições estaduais de São Paulo, realizado na terça-feira (13).

    Segundo a nota, a investigação será feita “com transparência e celeridade”. A presidente do Conselho, Maria Lucia Amary, afirmou que, no momento em que recebeu a representação contra Garcia, enviou para autuação e notificação do deputado.

    “Como mulher, repudio veementemente este tipo de comportamento e me solidarizo com a jornalista Vera Magalhães, que estava no exercício do seu trabalho”, destacou Amary.

    O presidente da casa legislativa, Carlão Pignatari, manifestou “solidariedade à jornalista Vera Magalhães e seu repúdio à atitude irresponsável do deputado Douglas Garcia”.

    “A Alesp não compactua e repudia condutas ofensivas e desrespeitosas, sempre prezando pelo respeito, diálogo e tolerância entre todos”, complementa a nota.

    Ao menos quatro deputados e deputadas entraram com representações contra Garcia, incluindo Isa Penna (PCdoB), Monica Seixas (PSOL), Emidio Pereira de Souza (PT) e Paulo Fiorilo (PT).

    Outro lado

    Procurado pela CNN anteriormente, o deputado expôs que “fez um questionamento válido à Vera Magalhães sobre o contrato com a TV Cultura e sobre as críticas costumeiras tecidas por ela ao Presidente da República”. Além disso, pontuou que o pedido de cassação contra ele “é mais um da esquerda” e que fará um boletim de ocorrência contra a jornalista.

    “O boletim de ocorrência é por calúnia em razão da Vera Magalhães ter afirmado que foi agredida, o que não é verdade. A jornalista reagiu com agressividade, tocou em seu rosto e chamou os seguranças para retirá-lo”, disse a assessoria de Garcia.

    Pelas redes sociais, o deputado observou que recebe “com tranquilidade mais uma representação do PT contra mim no Conselho de Ética da Alesp”.

    Em resposta à CNN, o Republicanos repudiou a ação do deputado e que a executiva estadual irá convocá-lo para explicações e avaliar a possível aplicação de medidas.

    “A conduta do partido, que preza pelo conservadorismo na sua essência, é sempre pela via do diálogo, do bom senso e do respeito aos demais partidos, às instituições e às pessoas. Isso foi deixado claro ao Douglas no ato da sua filiação no ano passado”, ressalta a nota.

    Entenda o caso

    Conforme vídeos publicados nas redes sociais de ambos os envolvidos, Garcia vai até Vera Magalhães e a questiona: “Vera, você assinou um contrato de meio milhão de reais para falar mal do presidente da República?” O valor se refere ao seu contrato anual com a Cultura. Após isso, ela chama a segurança e ele profere ofensas, afirmando que ela é uma “vergonha” para a profissão.

    “Você é deputado e veio para fazer essa palhaçada?”, pergunta Vera posteriormente. “Eu tenho vergonha na cara, o contrato é de R$ 200 mil, eu publiquei e você sabe”, continua.

    O bate-boca permaneceu, até que o diretor de jornalismo da TV Cultura e âncora do debate, Leão Serva, toma o celular de Garcia e o arremessa.

    Vera, em manifestação sobre o ocorrido, alega que desde o último debate presidencial na Rede Bandeirantes, em 28 de agosto, quando esteve envolvida em uma confusão com o presidente Jair Bolsonaro (PL), está “sofrendo ataques violentos e virulentos de uma base bolsonarista autorizada pelo Presidente da República, porque ele me atacou e essa base se sente autorizada a repetir os ataques.”

    “Eu vou registrar um boletim de ocorrência contra um deputado que usou um convite para um debate, um convite que ele recebeu do staff do candidato Tarcísio Freitas, ele usou isso para me acossar, para me ameaçar, para me filmar, para achar que iria me intimidar, para me xingar quando eu estava sentada exercendo a minha profissão, isso não é aceitável, isso é inadmissível, isso não configura democracia”, explica.

    Tarcísio Freitas, candidato ao governo de São Paulo e participante do debate, disse que repudia “veementemente a agressão sofrida pela jornalista Vera Magalhães enquanto exercia sua função de jornalista durante o debate de hoje”.

    “Essa é uma atitude incompatível com a democracia e não condiz com o que defendemos em relação ao trabalho da imprensa”, complementou.

    Em nota, Freitas também afirmou: “Lamento muito, se eu soubesse que ia dar alteração, não teria convidado. Jamais teria dado o convite se fosse para haver desrespeito a qualquer jornalista. O que a gente tem que fazer é afastar esse tipo de comportamento. Diante disso, não (será convidado para novos eventos)”.

    Outros candidatos ao governo paulista se manifestaram. Veja a repercussão completa neste link.

    Candidatos à Presidência da República também se pronunciaram sobre a hostilidade sofrida pela jornalista. Acompanhe através deste link.

    Debate

    As emissoras CNN e SBT, o jornal O Estado de S. Paulo, a revista Veja, o portal Terra e a rádio NovaBrasilFM formaram um pool para realizar o debate entre os candidatos à Presidência da República, que acontecerá no dia 24 de setembro.

    O debate será transmitido ao vivo pela CNN na TV e por nossas plataformas digitais.