"Coronel Cid faltou com a verdade", diz Braga Netto

Ex-ministro da Defesa participa do interrogatório no STF por videoconferência

Leticia Martins, Davi Vittorazzi e Maria Clara Matos, da CNN, São Paulo e Brasília
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Ex-ministro da Defesa de Jair Bolsonaro (PL), o general Walter Souza Braga Netto afirmou nesta terça-feira (10) durante o interrogatório no Supremo Tribunal Federal (STF) que o tenente-coronel Mauro Cid "faltou com a verdade" ao falar sobre uma reunião em que teriam discutido assuntos relacionados à instauração de um golpe de Estado no país.

Cid é réu e delator no âmbito do inquérito que apura o caso.

“O coronel Cid, para mim, faltou com a verdade”, respondeu o militar ao ministro Alexandre de Moraes.

Braga Netto diz que não foi uma reunião, e que Cid interfonou para ele quando estava em casa, dizendo que estava com dois “forças” e pediu para subir. Ele autorizou, e disse não ter intimidade com os visitantes, que depois saíram juntos com o ex-ajudante de ordens da sua casa.

Entrega de dinheiro

Na última segunda-feira (9), Cid depôs ao Supremo, e também reiterou a informação de que o general o entregou uma quantia em dinheiro em uma caixa de vinho. O recurso seria para ajudar a financiar os acampamentos de manifestantes em frente ao Quartel-General do Exército.

Braga Netto, por sua vez, disse que achou que o dinheiro era para campanhas eleitorais atrasadas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que concorreu à reeleição em 2022. Ele foi candidato a vice na chapa.

O general diz que não tem contatos com empresários e negou ter passado dinheiro para Mauro Cid, que nomeou a origem dos recursos como oriunda de “pessoas do agronegócio.”

Eu não tinha esse dinheiro, não tinha contato com empresários. Os empresários estavam interessados mais no presidente Bolsonaro do que em mim”, continuou Braga Netto.

Braga Netto está preso preventivamente desde dezembro do ano passado por supostamente tentar atrapalhar as investigações policiais. Ele participou do interrogatório por videoconferência.